Ouça a coluna ‘CBN Economia’, com Nelson Rocha Augusto
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central elevou novamente a taxa Selic, levando a taxa básica de juros do Brasil ao patamar mais alto dos últimos tempos. Essa decisão governamental demonstra uma postura firme em relação ao controle da inflação.
A Perspectiva da Equipe Econômica
Nelson Rocha Augusto comenta que a alta da Selic, atrásra em 12,75%, reflete a convicção da equipe econômica (Ministério do Planejamento, Ministério da Fazenda e Banco Central) em combater a inflação. Em contraste com a tendência global de redução de juros e expansão da liquidez, o Brasil adota uma política de contração da liquidez devido à alta inflação interna.
O Impacto no Combate à Inflação
O Banco Central busca conter a expectativa de inflação e desacelerar a economia. Essa medida visa evitar que o choque nos preços administrados (energia elétrica, transporte público, combustíveis) se espalhe para outros setores da economia, gerando uma espiral inflacionária. O combate à inflação envolve tanto medidas fiscais nas três esferas de governo quanto a política monetária de elevação da taxa de juros. A recente alta do câmbio também contribui para o cenário inflacionário.
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Expectativas para o Futuro
As expectativas de inflação futura, segundo analistas do mercado financeiro (Focus), mostram uma tendência de queda. A projeção para 2016 é de 5,5%, uma redução significativa em relação à expectativa de 7,4% para 2015. Essa diminuição indica que o país está no auge do sacrifício, com a alta da taxa de juros impactando a sociedade. Contudo, os efeitos positivos começam a surgir, com a expectativa de uma inflação mais controlada no segundo semestre. Apesar do sacrifício imposto pela alta taxa de juros e ajuste fiscal, as elevações da Selic parecem estar surtindo o efeito desejado.
A falta de confiança na economia brasileira, agravada pelo cenário político, tem impulsionado a alta do dólar, que se aproximou de R$3. Essa desconfiança leva os agentes econômicos a buscarem moedas fortes como refúgio. No entanto, é importante ressaltar que não há um desequilíbrio significativo na economia que justifique a desvalorização do câmbio. A alta do dólar pode estimular as exportações e desacelerar as importações. O fluxo de entrada de dólares no Brasil em fevereiro foi positivo, e a expectativa é que a taxa de câmbio se acomode, a menos que ocorram rupturas no cenário político.
O cenário atual exige paciência, pois os resultados das medidas de combate à inflação levam tempo para se concretizarem.