Adriana Silva comenta o que esse período, que durou 21 anos, refletiu em Ribeirão Preto e região
Em 31 de março de 1964, foi deflagrado o golpe de estado que instaurou a ditadura militar no Brasil, um período marcado por repressão e violações de direitos humanos. Em Ribeirão Preto, a data reverbera por sua intensa participação nas resistências ao regime.
Atuação de Van der Leijkaist e o movimento de resistência
Van der Leijkaist, advogado e escritor, Em 31 de março de 1964, foi uma figura central na resistência local. Fundador das Forças Armadas de Libertação Nacional aos 25 anos, ele defendeu direitos humanos e os trabalhadores rurais sem-terra. Preso e torturado, Van der Leijkaist também atuou no jornalismo e produziu poemas que refletem a luta dos camponeses contra o latifúndio e a repressão.
Documentário e depoimentos sobre a resistência em Ribeirão Preto: O documentário “Tempos de Resistência”, baseado no livro de Leopoldo Paulino, ex-vereador e militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB), reúne depoimentos de diversos participantes da resistência. José Dolfo de Granville, militante do PCB e da Aliança, destaca que Ribeirão Preto era um centro importante do movimento sindical e alvo frequente da repressão policial.
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Repressão e grupos considerados "terroristas": Relatos e documentos da época indicam que as autoridades do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) de São Paulo investigavam e prendiam grupos de resistência em Ribeirão Preto, rotulados como “terroristas”. Entre os presos estavam Van der Leijkaist e sua irmã Maorina, uma freira que apoiava o movimento oferecendo abrigo e participando da divulgação de informações por meio de um jornal mimeografado chamado “Berro”. A repressão incluía a tortura e a destruição de materiais de resistência.
Outros personagens e o contexto local: Além de Van der Leijkaist, outros nomes ligados à resistência e ao PCB tiveram destaque, como Joaquim Câmara Ferreira, Virgílio Gomes da Silva, Francisco Gomes da Silva e o deputado estadual Luciano Lepera, conhecido como o “deputado dos grevistas”. A intensa atividade sindical e estudantil, especialmente na Escola Antônio Mota, fez de Ribeirão Preto um polo de resistência ao regime militar.
Informações adicionais
Documentários e pesquisas recentes têm trazido à tona o papel de figuras como a irmã Maorina, que, apesar de sua condição religiosa, esteve consciente e ativa na luta contra a ditadura. Essas narrativas ajudam a compreender a complexidade da resistência local e a importância de preservar a memória histórica para evitar retrocessos.