Em apenas 25 anos, Brasil pode enfrentar 12 interrupções no abastecimento de água por ano
Um estudo recente do Instituto Trata Brasil lança um alerta preocupante sobre o futuro do abastecimento de água no país. As projeções indicam que, em um período de 25 anos, o Brasil poderá enfrentar, em média, 12 dias de interrupção no fornecimento de água anualmente. Em regiões mais vulneráveis à seca, como o Nordeste e o Centro-Oeste, esse número pode ultrapassar os 30 dias.
O Crescente Consumo e os Impactos Climáticos
A principal preocupação levantada pelo estudo reside no aumento contínuo do consumo de água. Esse aumento é impulsionado por diversos fatores, incluindo a expansão do acesso à água tratada, o crescimento demográfico e econômico do país, e os efeitos cada vez mais evidentes das mudanças climáticas. A previsão de um aumento de 1 grau Celsius na temperatura máxima do planeta até 2050 agrava ainda mais a situação.
O aumento da temperatura intensifica as secas e ondas de calor, elevando o consumo de água. Paralelamente, a redução no número de dias chuvosos diminui a disponibilidade hídrica. A projeção é de uma redução de 3,4% ao ano no volume de água dos rios brasileiros. Se medidas não forem tomadas, o país precisará captar 60% a mais de água dos rios do que atualmente.
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Perdas na Distribuição e a Busca por Soluções
Dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento Básico revelam que municípios, como os da região de Ribeirão Preto, podem perder até 69% da água utilizada no abastecimento da população. A redução dessas perdas é crucial para mitigar o problema. Atualmente, o Brasil perde 40,3% de toda a água produzida, com regiões ultrapassando os 60% de perda. Essa quantidade de água perdida, cerca de 7 bilhões de metros cúbicos, poderia suprir grande parte do aumento da demanda.
A meta estabelecida pelo Ministério das Cidades é reduzir as perdas para 25% até 2034. Para alcançar essa meta, é fundamental investir na redução de perdas na distribuição, com planejamento estruturado, mapeamento das tubulações, sensores de vazão e pressão para identificar vazamentos, e agilidade no reparo desses vazamentos. A tecnologia pode ser uma grande aliada nesse processo.
Ações Individuais e Coletivas para um Futuro Sustentável
Além das medidas de infraestrutura, ações individuais e coletivas são essenciais. O uso de água da chuva para atividades como lavar carros e limpar casas, e o reúso de efluentes tratados para fins industriais, são alternativas viáveis. Dentro de casa, o uso consciente da água é fundamental. No setor agrícola, responsável por 70% da captação de água, a busca por práticas mais eficientes é imprescindível.
A crença de que regiões com aquíferos abundantes, como o Aquífero Guarani, estão imunes à crise hídrica é um equívoco. As mudanças climáticas afetam a recarga dos mananciais, e a seca de poços e a diminuição do volume de rios já são realidades em diversas regiões do país. A reflexão sobre o uso consciente da água é um dever de todos, visando garantir o futuro das próximas gerações.
O estudo do Instituto Trata Brasil serve como um importante lembrete da necessidade de ações urgentes e coordenadas para garantir a segurança hídrica do país.



