Rodrigo Stabeli faz um balanço do avanço da pandemia no Brasil
Em março de 2021, Ribeirão Preto registrou o maior número de mortes por Covid-19 desde o início da pandemia, superando até mesmo o recorde de julho de 2020. Conversamos com o pesquisador Rodrigo Estábile, da Fiocruz, para entender essa situação.
Mortes por Covid-19: Comportamento Humano x Nova Cepa
Segundo Estábile, a nova cepa do vírus tem pouca influência na mortalidade e gravidade da doença. O aumento de óbitos se deve principalmente ao relaxamento das medidas de segurança, como o distanciamento social e o uso de máscaras. O pico da pandemia em Ribeirão Preto, observa-se, ocorre 4 a 5 semanas após grandes aglomerações, como as festas de fim de ano e o carnaval.
Medidas Restritivas e Lockdown
Ribeirão Preto adotou um lockdown de cinco dias, seguido de flexibilizações. Estábile destaca que medidas restritivas, para serem eficazes, precisam estar acompanhadas de um plano de recuperação de renda para a população afetada. Sem essa coordenação governamental, os lockdowns se tornam ineficazes na redução da transmissão do vírus.
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A lentidão na vacinação é apontada como um dos principais entraves no combate à pandemia. O atraso na aquisição de vacinas, como a da Pfizer, e a falta de eficiência na logística de distribuição contribuem para o cenário atual. Estábile estima que, mantido o ritmo atual, levará um ano e meio para alcançar uma cobertura vacinal satisfatória da população. Ele ressalta a importância da segunda dose da vacina para a proteção efetiva contra a Covid-19.
Em resumo, o aumento de mortes em Ribeirão Preto está ligado ao comportamento da população e à falta de medidas governamentais eficazes e coordenadas, tanto em relação ao lockdown quanto à vacinação. A combinação de medidas restritivas efetivas com um plano de suporte à população e uma vacinação rápida e eficiente são cruciais para controlar a pandemia.



