Após reunião, que ouviu a opinião de pais, professores e outros, relatório dever ser entregue ao governador Tarcísio de Freitas
A Câmara Municipal de Ribeirão Preto realizou na noite de segunda-feira uma audiência pública para discutir a possível implantação de escolas cívico-militares na cidade. O evento, Em clima tenso, reunião para discutir, convocado pelo presidente da Casa, Isaac Antunes, contou com plenário lotado e forte presença da Guarda Civil Metropolitana (GCM), que reforçou a segurança para evitar confusões durante a sessão.
O subcomandante da GCM, Mário Lucchetti, explicou que a presença da corporação visa garantir o exercício democrático das opiniões, tanto favoráveis quanto contrárias ao projeto. Durante a audiência, grupos sociais se posicionaram em lados opostos, gerando momentos de tensão semelhantes a um ambiente de arquibancada esportiva.
Um representante do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, contrário à implantação das escolas cívico-militares, chegou a ser retirado temporariamente do auditório pela GCM após se recusar a sair ao se aproximar de pessoas favoráveis ao projeto. Após conversa, ele foi autorizado a retornar para acompanhar a audiência.
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“Nós somos contra, o sindicato é contra a Escola Cívico-Militar. Eu sou professor há 21 anos e, nesse período, o que a educação pública do Estado de São Paulo precisa é de investimento e valorização. Hoje, o governo gasta cerca de 8 reais por aluno por dia, enquanto o programa das escolas cívico-militares prevê um gasto de 1.900 reais por mês por aluno”, afirmou Roberto Tofoli, diretor estadual do sindicato.
O programa das escolas cívico-militares, proposto pelo governador Tarcísio de Freitas, foi aprovado em maio do ano passado pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo. A iniciativa será desenvolvida sob responsabilidade das secretarias estaduais da Educação e da Segurança Pública, com expectativa de adesão de 50 a 100 escolas no estado.
Em Ribeirão Preto, a Escola Estadual Doutor Guimarães Jr., localizada no centro da cidade, está em processo de votação desde a semana passada para decidir sobre a possível implantação do modelo cívico-militar. Pais, alunos e professores têm até 31 de março para manifestar sua escolha.
“O benefício é a educação do jovem e a disciplina que ele terá na escola, preparando-o para o futuro”, defendeu Giovanni Barberato, segundo tenente da reserva da Polícia Militar, durante a reunião.
Isaac Antunes informou que será entregue um relatório ao governador Tarcísio de Freitas, acompanhado de um abaixo-assinado com mais de 40 mil assinaturas, para demonstrar a dimensão do movimento na cidade. O documento será entregue ao secretário estadual de Educação e ao presidente da Assembleia Legislativa, deputado André Duprado, em reunião marcada para o dia 31 de março.
A GCM confirmou que a intervenção para retirar uma pessoa do plenário ocorreu para restabelecer a ordem, após tumulto causado por Fábio Enrique Granado Sardinha, ligado à POESP. A presidência da Câmara informou que estuda medidas judiciais contra ele devido à conduta considerada agressiva e desrespeitosa.
O debate sobre as escolas cívico-militares em Ribeirão Preto deve continuar ao longo da semana, com repercussão intensa e participação da população, conforme destacou a reportagem da CBN Ribeirão.