Médicos dizem que o tempo seco e as variantes podem ter provocado aumento
Franca enfrenta grave crise de leitos de UTI
30 pacientes aguardam vagas em Franca
A situação na cidade de Franca é crítica. Ontem, segundo a Secretaria da Saúde, pelo menos 30 pessoas aguardavam internadas no pronto-socorro Álvaro Azuso, o maior da cidade, por uma vaga de UTI. Esse número representa um aumento de 10 pacientes em relação ao domingo. A coordenadora de enfermagem do pronto-socorro, Clara Caíero Cruz, relatou que outros 9 pacientes precisavam de leitos de enfermaria, e 4 estavam entubados no pronto-socorro. Todos os leitos de atendimento e observação estão 100% ocupados, situação considerada muito preocupante pela equipe médica.
Preocupação das famílias e relatos de pacientes
Um dos pacientes, Wagner de Souza, 55 anos e diabético, precisa de transferência para a UTI. Sua mãe, Maria Lucia Lombardi, demonstra a angústia de muitas famílias que enfrentam a espera por leitos. Ela descreve os sintomas do filho: tosse persistente, fraqueza nas pernas, muito sono e dores no corpo. A demora na transferência gera desespero e ilustra o drama vivido por diversas famílias na região.
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Causas do aumento de casos e ações do Ministério Público
Médicos apontam o tempo seco e as novas variantes do coronavírus como fatores que contribuem para o aumento de casos graves e internações prolongadas. Mero Rosa Júnior, médico da vigilância epidemiológica de Franca, explica que o clima seco torna as vias aéreas mais vulneráveis a infecções, resultando em quadros mais agressivos e necessidade de cuidados intensivos. O Ministério Público de Franca solicitou à Divisão Regional de Saúde 8 (que abrange Franca e outras 22 cidades) a abertura de mais leitos, dando um prazo de 72 horas para resposta. O pedido, assinado por 9 promotores, destaca a situação crítica da região, com poucos leitos para pacientes com sintomas graves. A população da Regional de Saúde 8 é de 700 mil habitantes. Os promotores alegam que o plano de transição do governo paulista não considerou a elevação de casos graves na região. A falta de resposta poderá resultar em ações judiciais.
A situação em Franca demonstra a urgência de mais leitos de UTI e a necessidade de um planejamento que contemple as demandas regionais em situações de crise de saúde pública. A espera por vagas continua a afetar inúmeras famílias, colocando em risco a vida de pacientes que necessitam de cuidados intensivos.


