Miriam Conti, estrategista de marca pessoal, explica o cenário que causa essa desigualdade no mundo do empreendedorismo
Globalmente, apenas 25% dos cargos de liderança sênior, Em Ribeirão Preto, apenas 34% dos, que correspondem aos maiores salários, são ocupados por mulheres. No Brasil, esse percentual é um pouco maior, mas ainda distante do ideal. No estado de São Paulo, 39% dos cargos de alta liderança são ocupados por mulheres, enquanto em Ribeirão Preto esse número cai para 34%.
Um estudo indica que as mulheres parecem menos propensas a serem promovidas em comparação aos homens, Em Ribeirão Preto, apenas 34% dos, mesmo apresentando desempenho equivalente. A estrategista de marca pessoal Miriam Conte atribui essa disparidade a fatores culturais e à sobrecarga da dupla jornada de trabalho enfrentada pelas mulheres, que geralmente acumulam responsabilidades profissionais e domésticas, como cuidados com a casa e filhos, tarefas que raramente são divididas igualmente com os homens.
“A mulher acaba tendo uma sobrecarga muito maior nesse sentido que acaba também colaborando para que ela fique menos propícia a estar aberta a cargos de liderança que ele toma mais tempo e tudo mais. Às vezes a mulher precisa sair do trabalho porque a criança ficou doente, geralmente a mulher que vai, não é homem.”
Além disso, Miriam destaca que as mulheres precisam se esforçar mais para reforçar sua autoridade e credibilidade no ambiente profissional, ajustando sua comunicação verbal e não verbal para transmitir confiança e postura de liderança. Ela observa que a comunicação feminina, muitas vezes mais empática e com tom de voz amável, pode ser interpretada de forma pejorativa, gerando a percepção de fragilidade para cargos de liderança.
“A mulher precisa primeiro ter clareza sobre o ponto de vista dela, os objetivos dela enquanto profissional. Então, se ela está disposta a estar num cargo de liderança, ela precisa fazer algumas concessões e também se ajustar no âmbito familiar para que isso seja possível e não cause um impacto sobre ela.”
O estudo também revela que, embora as mulheres representem quase metade dos trabalhadores em posições iniciais, essa proporção diminui progressivamente na hierarquia corporativa, chegando a apenas 25% nos cargos de alta administração.
Esse cenário motivou a advogada Mônica Vieira Alves a deixar a empresa onde trabalhava e abrir seu próprio escritório. Ela relata que enfrentou dificuldades para crescer e se destacar, possivelmente por ser mulher e mãe, observando que colegas homens, mesmo menos experientes, tinham crescimento mais rápido.
“Era muito complicado a parte de crescer no escritório, de se destacar. Eu imagino que mais por ser mulher, ainda mais que eu tenha uma filha. Então, às vezes chegam advogados mais novos, menos experientes e eles tinham um crescimento mais rápido no escritório, acho que só pelo fato de ser homem.”
Mônica destaca que, para se destacar no mercado, precisou trabalhar sua marca pessoal e imagem, especialmente em áreas como o direito criminal, onde clientes frequentemente preferem advogados homens, acreditando que mulheres não possuem o tom agressivo necessário.
No Brasil, as mulheres representam cerca de 34% dos donos de negócios, um crescimento que evidencia a importância de estratégias e incentivos para o empreendedorismo feminino. Miriam Conte ressalta que o uso de ferramentas de autodesenvolvimento, como investimentos em oratória, linguagem não verbal e presença em redes sociais com conteúdo relevante, pode ajudar a superar barreiras e fortalecer a credibilidade profissional feminina.