Débora Milori, pesquisadora, explica importância do projeto realizado em conjunto com a Agrorobótica, o BB e um produtor rural
Foi lançada uma parceria estratégica entre a Embrapa, Embrapa desenvolve tecnologia do primeiro programa, o Banco do Brasil, a empresa Agrobótica e o produtor José Carlos Vidote para implementar o primeiro programa nacional de citricultura regenerativa com certificação internacional de créditos de carbono no solo. A iniciativa será implantada em uma área de 600 hectares em Paranaíba, Mato Grosso do Sul.
Desenvolvimento e histórico da pesquisa: A pesquisadora Débora Milore, da Embrapa Instrumentação, explicou que o trabalho com análise de solos começou em 2001, com a transferência da técnica para a Agrobótica iniciada em 2005. Após cerca de 20 anos de pesquisa acadêmica, o projeto evoluiu para inovação aberta com a iniciativa privada e atualmente está sendo adotado por produtores, fechando um ciclo de geração de tecnologia voltada à sustentabilidade agrícola.
Funcionamento do programa: O programa utiliza uma plataforma que realiza o mapeamento da variabilidade espacial da propriedade para coleta de amostras de solo. Em laboratório, um laser de alta energia quebra moléculas da superfície das amostras, permitindo a análise dos elementos presentes por meio da luz emitida. Com o uso de inteligência artificial, são extraídos parâmetros como pH, capacidade de troca catiônica (CTC), textura e densidade do solo. Essa tecnologia possibilita uma análise detalhada e rápida da fertilidade e do estoque de carbono do solo, reduzindo custos para os produtores.
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Benefícios e aplicação prática: Além de promover a recuperação de áreas degradadas, como a conversão de pastagem degradada em pomar, o programa possibilita a venda de créditos de carbono no mercado internacional. A tecnologia já está em uso em 18 estados brasileiros e conta com parcerias com grandes empresas do setor agrícola, como SLC Agrícola e Marfrig.
Próximos passos e expansão tecnológica
A equipe de pesquisa está investindo na aplicação da mesma tecnologia para análise de material vegetal, visando mapear o estado nutricional das plantações. Essa etapa está em desenvolvimento há cerca de 10 anos e deve ser licenciada para o mercado em breve. O processo de pesquisa e validação envolve várias fases, desde a ideação até testes em ambientes produtivos, demandando paciência e resiliência para a introdução de produtos inovadores no mercado.
Informações adicionais
O Banco do Brasil participa do projeto com um programa interno de carbono e fertilidade do solo, apoiando a iniciativa que busca tornar a agricultura brasileira mais competitiva e sustentável, com benefícios ambientais, sociais e econômicos. A certificação internacional de créditos de carbono reforça o compromisso com práticas agrícolas regenerativas e a mitigação das mudanças climáticas.



