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Neste artigo, exploramos o conceito de empatia, partindo de uma definição inicial e aprofundando-o com exemplos e reflexões.
A Superficialidade da Empatia
Definir empatia simplesmente como a capacidade de se colocar no lugar do outro é superficial. É extremamente difícil, senão impossível, vivenciar completamente a experiência de alguém diametralmente oposto a nós. Imagine-se, por exemplo, no lugar de uma freira conventual que vive em silêncio quase absoluto, ou no lugar de uma pessoa transexual. A complexidade dessas experiências demonstra a limitação de uma definição simplista.
Empatia: Andar nos Sapatos do Outro
A expressão “Walk in your shoes” (andar nos sapatos do outro) ilustra bem a metáfora da empatia. A imagem de calçar um sapato de tamanho diferente – maior ou menor que o nosso – evidencia o desconforto e a dificuldade de compreender plenamente a experiência alheia. A filósofa Jamila Ribeiro contribui com outra perspectiva, enfatizando como nosso lugar na sociedade e nossos privilégios impactam a vida dos outros. Nossa posição influencia diretamente a acessibilidade dos outros aos direitos humanos.
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Empatia em Ação
O exercício prático da empatia foi vivenciado pelo autor e sua família ao participarem de uma ação do Grupo Empatia, que distribuiu lanches para cerca de 150 crianças em situação de vulnerabilidade em Ribeirão Preto. A experiência destacou a assustadora realidade da insegurança alimentar na região, reforçando a importância da empatia como ferramenta para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária. A empatia, portanto, não se limita a uma simples compreensão intelectual, mas exige a percepção de como nossos privilégios e posição social afetam a vida daqueles que sofrem com a falta de acesso a direitos básicos.