Dados do IBGE mostram que cerca de 51% dos brasileiros que empreendem são pretos ou pardos; destes, 52% são mulheres
O empreendedorismo negro no Brasil movimenta 1,7 trilhão de reais por ano, representando mais da metade dos empreendedores brasileiros. Apesar desse expressivo número, dados recentes apontam para uma realidade preocupante: a desigualdade persiste.
Desigualdade e desafios no empreendedorismo negro
Um estudo realizado pela Preta Hub, em parceria com Plano CDE e J.P. Morgan, revelou que a renda gerada por empreendedores negros é 32% inferior à dos empreendedores brancos. A diferença é ainda maior quando comparamos mulheres negras a homens brancos, chegando a 74%. Além disso, a maioria dos empreendimentos negros são de pequeno porte, com poucos empregados, e muitos empreendedores não contribuem para o INSS, indicando precariedade trabalhista.
Necessidade versus inovação
Grande parte do empreendedorismo negro é motivada pela necessidade de sobrevivência, em vez da busca por inovação. Entre as mulheres negras, apenas 8% são empregadoras, comparado a 11% dos homens brancos. Essa realidade demonstra a urgência de políticas públicas e iniciativas privadas que promovam o acesso a recursos, capacitação e oportunidades para empreendedores negros, impulsionando o crescimento de seus negócios e gerando maior impacto econômico.
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Oportunidades e exemplos de sucesso
Apesar dos desafios, existem oportunidades significativas no mercado para empresas que atendam às necessidades específicas da população negra. Setores como beleza, saúde e tecnologia apresentam grande potencial. Exemplos como a Afro-Wedding (assessoria de casamento afrocentrado), Afro-Saúde (tecnologia em saúde para a população negra) e Tim Hub (plataforma de gerenciamento de RH com foco em inclusão) demonstram o sucesso possível com foco neste público. Investir em negócios que promovam a inclusão e atendam às demandas da comunidade negra é uma tendência promissora e socialmente relevante.
É fundamental reconhecer a contribuição dos empreendedores negros para a economia brasileira e trabalhar ativamente para reduzir as desigualdades existentes, criando um ambiente mais justo e equitativo para todos.