Rede de farmácias, que possui 80 unidades em São Paulo e Minas Gerais, lidera a lista de maiores devedores do estado
Uma empresa familiar, a Droga Vida Comercial de Drogas, com 80 unidades em São Paulo e Minas Gerais, deve R$ 4.836 bilhões ao Estado de São Paulo em impostos não pagos. Este valor é equivalente ao orçamento anual de cidades como Goiânia ou o Amapá, e seria suficiente para financiar a USP por um ano.
Dívida Gigantesca e Histórico de Sonegação
A Droga Vida, que atua sob o nome fantasia Drogão Super, lidera a lista de maiores devedores do Estado de São Paulo, divulgada em junho pelo Tribunal de Contas. A empresa pertence à família Marcondes, de Ribeirão Preto, que possui ao menos 14 empresas no ramo de distribuição de medicamentos e administração de imóveis. O patriarca, Maurício Rousseau Marcondes, falecido há dois anos, e seus filhos, Marcelo e Milton Marcondes, acumulam ações civis e criminais por crimes contra a ordem tributária há 20 anos. Em Minas Gerais, a empresa foi alvo de força-tarefa em 2012 por sonegação de ICMS, devendo cerca de R$ 200 milhões aos cofres mineiros. O promotor Renato Fróis afirma que houve quase 500 autuações da Droga Vida e 5 mil drogarias que compravam da distribuidora, prejudicando empresas que atuavam de forma regular.
Recursos Judiciais e Defesa da Empresa
A dívida em São Paulo resulta de autuações e multas pelo não pagamento de ICMS, com processos no STJ e STF. A defesa da família Marcondes é feita pelo advogado José Eduardo Rangel Alckmin, primo do ex-governador Geraldo Alckmin. Marcelo Marcondes é filiado ao PSDB há 23 anos. A dívida da Droga Vida supera em quase 200 vezes seu capital social (R$ 28 milhões) e é quase o dobro da dívida da Petrobras (R$ 2,2 bilhões). A empresa também deve R$ 280 milhões à União por não pagar PIS e Cofins. A Droga Vida alega que as autuações são inconsistentes e as multas abusivas, afirmando que nunca se furtou às obrigações legais.
Leia também
- Há quase cinco anos na vida dos brasileiros, PIX já gerou economia acumulada de R$ 100 bilhões
- Geração z e comportamento nas redes: Likes & Luto: quando a Geração Z transforma o feed em cenário de violência familiar
- Governo deve publicar na sexta (30) decreto com contenção de despesas de cerca de R$ 33 bilhões
Embora a empresa possa ter seus bens penhorados, o advogado tributarista João Henrique Gonçalves Domingos explica que não há risco imediato de fechamento, a não ser em última instância, caso se mostre inviável a continuidade das operações. O Estado busca meios para satisfazer a dívida, seja através de penhora de ativos ou valores do faturamento. A situação permanece na justiça, aguardando decisão final.



