Grupo que combate o crime organizado quer entender porque um poço do Daerp foi construído em área particular
Posto de água em Ribeirão Preto vira símbolo de irregularidades
Obra milionária em área particular
Um posto de água construído em 2016 na zona sul de Ribeirão Preto, durante a gestão da ex-prefeita Dárcy Vera, tornou-se alvo de investigação por suspeitas de irregularidades. A obra, orçada em R$ 2.200.000,00, foi erguida em uma propriedade particular, em meio a um milharal, e está abandonada, sem energia elétrica e com as portas lacradas. A CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Daerp (Departamento de Água e Esgoto de Ribeirão Preto) descobriu que o dinheiro público foi usado para perfurar um poço em um empreendimento milionário, sem obedecer a prioridades, mesmo com a cidade passando por uma crise hídrica na época.
Indícios de fraude e superfaturamento
A investigação apontou indícios de fraude e superfaturamento em diversas obras licitadas pela prefeitura, incluindo as melhorias no sistema de água, cujo custo saltou de R$ 69 milhões para R$ 80 milhões. A Egea Engenharia foi a empresa beneficiada. O ex-diretor do Daerp, Luís Alberto Mantilla, preso e delator, confirmou a existência de um esquema de fraudes na autarquia. Marquantone dos Santos, superintendente do Daerp à época, teria recebido R$ 600.000,00 em propina, segundo apurações da CPI. Apesar do Daerp confirmar em ofício que o poço de 500 metros quadrados foi feito em área particular com promessa de doação ao município, nenhum contrato passou pela Câmara, nem a assinatura do empreendedor.
Leia também
Promessas não cumpridas e responsabilidades
Um ofício da Tambaíba Empreendimentos, dona da área, solicitou a construção do posto no condomínio, mas o documento só contém a assinatura de Marquantone dos Santos, não do dono da empresa. José Cardoso de Almeida, um dos donos do loteamento, afirma que o Daerp propôs a construção do poço com a promessa de doação futura do terreno. Tanto José Cardoso quanto a Tambaíba Empreendimentos não são acusados na investigação. Marquantone dos Santos nega as acusações de favorecimento e recebimento de propina. A Egea Engenharia afirma ter apenas realizado a construção, com a localização do poço definida pelo Daerp, sob o comando de Marquantone dos Santos em 2016.
As investigações da CPI do Daerp trouxeram à tona graves irregularidades na gestão pública de Ribeirão Preto, expondo o uso indevido de recursos públicos e a falta de transparência em processos licitatórios. O caso do posto de água abandonado simboliza o desperdício de dinheiro público e a necessidade de maior fiscalização e transparência na administração municipal.



