Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Marisa Fernandes
Os gastos da prefeitura de Ribeirão Preto com a manutenção e limpeza de praças, parques e canteiros têm gerado questionamentos, dada a situação precária encontrada em muitos desses locais. A disparidade entre o investimento declarado e a realidade observada levanta dúvidas sobre a eficiência e a fiscalização dos serviços contratados.
Parque Tom Jobim: Um Exemplo de Abandono
No Parque Tom Jobim, a situação é alarmante. Bancos quebrados, um poste caído, mato alto e sujeira generalizada compõem o cenário. A cerca danificada agrava a sensação de insegurança, somada à ausência de lixeiras e iluminação inadequada. Moradores relatam que, por vezes, as luzes permanecem apagadas por meses, apesar do alto valor pago pela prefeitura para a manutenção do local: R$ 227 mil no ano passado e R$ 235 mil neste ano.
Contrato e Endereço Fantasma
A empresa contratada pela prefeitura para realizar a limpeza e manutenção desses espaços é a Edison Gonçalves da Silva. Segundo o Diário Oficial do Município, a administração municipal já desembolsou R$ 2,731 milhão e R$ 645 mil pelos serviços. No entanto, ao buscar a empresa no endereço fornecido (Rua José Ferreira Martins, número 572), a equipe de reportagem encontrou um imóvel para alugar, conforme informado por um funcionário de uma empresa vizinha, que afirmou nunca ter visto qualquer empresa no local nos últimos oito meses.
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Outras Áreas Problemáticas e a Necessidade de Fiscalização
Na Via Norte, a ciclofaixa enfrenta outro problema: galhos de árvores obstruindo a passagem. Os gastos com a manutenção dessa área somam R$ 530 mil. Jorge Sanchez, conselheiro da Amaribo, destaca a importância da cobrança popular e da atuação dos órgãos competentes. Ele ressalta que a prefeitura tem a obrigação legal de fiscalizar a execução correta dos contratos. Sanchez enfatiza a necessidade de participação popular e denúncias ao Ministério Público, para que este possa instaurar um inquérito civil e punir os responsáveis.
A prefeitura informou que o pagamento à empresa se refere apenas à roçada de mato, enquanto a limpeza e manutenção de bancos seriam de responsabilidade da Secretaria de Infraestrutura. Um outro endereço da empresa foi fornecido na Vila Tibério, mas ninguém foi encontrado no local. A situação expõe a necessidade de maior transparência e fiscalização nos contratos de manutenção urbana.



