Empresário veem necessidade de cautela mesmo após anúncio de pacote contra ‘tarifaço’ estadunidense
O governo federal anunciou um pacote de medidas econômicas para mitigar os impactos das tarifas impostas pelo governo Trump, com o setor de pescados sendo um dos mais afetados. Empresários do ramo, no entanto, receberam o anúncio com cautela.
Reação do Setor de Pescados
Juliano Kubitsa, criador de tilápias em Rifaina, expressou que ainda precisa avaliar o impacto das medidas em seus negócios. Ele ressaltou que a atratividade das linhas de crédito dependerá dos custos envolvidos, considerando que se trata de dinheiro a ser devolvido com juros. A questão tributária e seu potencial benefício também serão analisados, assim como os planos do governo para aquisição de produtos, como para merenda escolar.
A fábrica de Kubitsa processa 40 toneladas de peixe por dia, com metade da produção destinada aos Estados Unidos. No ano passado, as exportações atingiram mais de 9 milhões de dólares. Diante do cenário, o empresário considera buscar novos mercados, tanto no exterior quanto no Brasil, explorando oportunidades na América Latina e aproveitando o potencial do mercado interno brasileiro.
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Alternativas e Estratégias
A estratégia, segundo o empresário, é pesquisar e encontrar alternativas para contornar os efeitos das tarifas. O pacote do governo inclui a liberação de R$ 30 bilhões em linhas de crédito, prazos estendidos para pagamento de impostos, ampliação do programa de restituição de impostos e compras governamentais.
Visão de Especialistas e Outros Setores
Edgar von Fortmerlo, professor de economia da USP, avaliou positivamente o pacote, destacando seu potencial para garantir a manutenção de empregos. Ele enfatizou a importância de oferecer fôlego aos exportadores afetados, especialmente os pequenos, que correm o risco de quebrar diante da interrupção das exportações. O professor também alertou para a dependência do Brasil em relação aos Estados Unidos e à China, defendendo a busca por novos parceiros comerciais para diversificar e estabilizar a economia.
O setor calçadista, representado pelo sindicato das indústrias de Franca, também está analisando as propostas do governo, com atenção especial à clareza dos créditos e aos impactos nas empresas maiores, que são as que mais geram empregos.
As medidas anunciadas visam dar suporte aos setores afetados e promover a busca por alternativas que garantam a estabilidade econômica a longo prazo.



