Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Marisa Fernandes
A rotina de Lucimara Figueiredo, moradora de Ribeirão Preto, foi impactada por um problema inusitado: uma caçamba de entulho, alugada para auxiliar na reforma de sua casa, permanece em frente à sua residência há mais de uma semana após o prazo de remoção. O transtorno, que dificulta o estacionamento e o trabalho dos pedreiros, expõe uma questão maior que afeta toda a cidade: a crise no descarte de entulho da construção civil.
A Saga da Caçamba Esquecida e o Impacto no Trabalho
O pedreiro Augusto José dos Santos engrossa o coro das reclamações. A demora na retirada das caçambas tem paralisado seu trabalho, impedindo o descarte adequado do entulho. “Não consigo trabalhar por falta de local para depositar o entulho”, desabafa. A situação, segundo ele, é generalizada, com diversas caçambas cheias espalhadas pela cidade, aguardando a remoção.
Caçambeiros de Mãos Atadas: Um Sistema em Colapso
Do outro lado da moeda, os caçambeiros se veem impossibilitados de prestar seus serviços. Carlos Roberto Roncare, um dos profissionais da área, relata a difícil situação: “O cliente pagou, está exigindo que retire. A caçamba fica na rua e jogam cachorro morto, coisa morta, está fedendo”. A impossibilidade de descartar o entulho nos locais adequados, devido à superlotação, gera um ciclo vicioso de reclamações e insatisfação.
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Soluções à Vista? Reciclagem e Novas Áreas de Descarte
Marcelo Almeida, responsável por uma das áreas de descarte, confirma a gravidade do problema e a necessidade urgente de alternativas. “Essa área já esgotou a capacidade dela”, afirma. A esperança reside na implantação de uma usina de reciclagem de entulho, que permitiria reaproveitar os resíduos da construção civil, transformando-os em novos materiais. O advogado Gustavo Defina, representante de grande parte dos caçambeiros, corrobora essa visão, defendendo o reaproveitamento como a chave para solucionar a crise.
Embora a prefeitura de Ribeirão Preto afirme que existem áreas autorizadas para o descarte, a realidade enfrentada por moradores, pedreiros e caçambeiros demonstra que a questão exige soluções urgentes e eficazes para evitar maiores transtornos e prejuízos à cidade.



