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Enchentes no Rio Grande do Sul impactam o que seria a segunda maior sofra da história de arroz

Produção, que antes tinha sido afetada pela seca, agora sofre com os impactos das chuvas; ouça o 'CBN Agronegócio'
Enchentes no Rio Grande do Sul
Produção, que antes tinha sido afetada pela seca, agora sofre com os impactos das chuvas; ouça o 'CBN Agronegócio'

Produção, que antes tinha sido afetada pela seca, agora sofre com os impactos das chuvas; ouça o ‘CBN Agronegócio’

As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul causaram danos significativos à safra de arroz e à cadeia produtiva regional, com impactos que devem se estender além do curto prazo. Em entrevista à CBN Agronegócio, o especialista José Carlos de Lima Jr. avaliou perdas agrícolas, problemas logísticos e o efeito acumulado de eventos climáticos extremos sobre a economia rural do estado.

Impacto nas lavouras e nas colheitas

O Rio Grande do Sul concentra cerca de 900 mil hectares de arroz — cerca de 60% da área plantada no país — dentro de um total nacional aproximado de 1,5 milhão de hectares na safra 2023/24. Para o estado, esperava-se uma produção próxima de 7,5 milhões de toneladas. Antes das enchentes, apenas 2 milhões de toneladas haviam sido colhidas, o que deixa mais de 5 milhões de toneladas ainda no campo no momento da cheia.

José Carlos alerta que as primeiras estimativas mais otimistas apontam para perdas de pelo menos 1 milhão de toneladas de arroz — cerca de 15% do volume — sobretudo por silos e armazéns inundados, aumento de umidade e proliferação de fungos que comprometem a qualidade do produto.

Efeitos na cadeia produtiva e na logística

Além do impacto direto sobre lavouras, o especialista destacou que a região é fundamental também para a produção de carne de aves e suínos. Cerca de 10 plantas industriais foram afetadas pelas chuvas, e a interrupção do funcionamento das unidades agrava perdas.

O dano à infraestrutura de transporte — rodovias federais, estaduais e vicinais, além de trechos ferroviários que ligam o interior ao porto de Rio Grande — compromete o escoamento da produção e o fluxo de insumos essenciais para manter a atividade. O resultado é um efeito multiplicador sobre custos e prazos de recuperação.

Fenômeno climático e reflexos urbanos

O especialista lembrou que o desastre acontece após três safras seguidas afetadas pela seca (2021–2023), mostrando a alternância de extremos climáticos. Eventos semelhantes têm sido observados em outras regiões do mundo e indicam uma tendência de maior frequência de fenômenos extremos.

José Carlos também chamou atenção para a necessidade de repensar a ocupação urbana e a preservação de áreas verdes. A redução de arborização, podas drásticas e a substituição de árvores maduras por mudas podem agravar enchentes e reduzir a capacidade de absorção das cidades.

As autoridades e os produtores devem agora mapear danos, priorizar a recuperação da logística e organizar medidas de mitigação da qualidade do estoque, ao mesmo tempo em que avaliam apoio financeiro e programas de recuperação para fazendas e indústrias afetadas.

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