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Engenheiro da AEAARP lamenta a ausência de parques em Ribeirão: “deveria ser uma preocupação”

Cidade tem apenas oito espaços de lazer e dois deles estão fechados por problemas estruturais e riscos sanitários
Engenheiro da AEAARP lamenta a ausência
Cidade tem apenas oito espaços de lazer e dois deles estão fechados por problemas estruturais e riscos sanitários

Cidade tem apenas oito espaços de lazer e dois deles estão fechados por problemas estruturais e riscos sanitários

Ribeirão Preto tem oito parques públicos, dos quais dois permanecem fechados por determinação das autoridades municipais. A prefeitura informou que o parque Olhos da Água está fechado desde julho de 2021 para execução de cercamento e programa de castração de capivaras, medida adotada na tentativa de conter a proliferação de carrapatos apontados como vetores de febre maculosa. Já o parque Roberto Melo Genaro está inativo por obras, segundo a Secretaria de Infraestrutura, devido ao risco de deslizamento de rochas. Em 2019, algumas áreas foram reformadas com o apoio da iniciativa privada, e houve posteriormente interesse na privatização de espaços públicos.

Medidas contra as capivaras e controle de vetores

O fechamento do Olhos da Água foi explicado pela prefeitura como parte de um conjunto de ações sanitárias e estruturais. Entre as estratégias citadas está a castração de capivaras como forma de controlar a população do animal e, consequentemente, a ocorrência de carrapatos. Em entrevista, o engenheiro agrônomo José Walter Figueiredo, da Associação de Engenharia, Arquitetura e Agronomia de Ribeirão Preto, destacou que o controle populacional, incluindo a castração do macho alfa, pode reduzir a reprodução e ajudar no manejo.

Figueiredo ressaltou ainda que a limpeza e a manutenção das áreas verdes dificultam o acesso das capivaras a alimento, reduzindo a permanência desses animais nos parques. “Se a área estiver bem tratada, bem limpa e bem cortada, ela não vai ter alimento e a capivara não vai frequentar o local”, afirmou.

Planejamento urbano, manutenção e benefícios sociais

Para o engenheiro agrônomo, a carência de parques em Ribeirão Preto reflete sobretudo falta de vontade política e de uma articulação mais ampla entre poder público, sociedade e mídia. Ele afirma que a cidade dispõe de espaços públicos, como margens de rios, que poderiam ser transformados em áreas de lazer. “Muito mais parques. E nós temos espaço na cidade para fazer isso”, disse, defendendo também a garantia da manutenção para que a população possa usufruir plenamente desses locais.

Figueiredo lembrou que a arborização urbana traz benefícios diretos à qualidade de vida, reduzindo a demanda por climatização e melhorando a saúde das populações mais vulneráveis. Segundo ele, bairros periféricos são os que mais necessitam de áreas verdes, pois a presença de árvores pode reduzir gastos com saúde e aumentar o bem-estar da população.

Privatização como alternativa e limitações

Sobre a possibilidade de terceirização ou privatização de parques, o engenheiro avaliou que a iniciativa privada pode ser uma alternativa viável, desde que existam regras claras para limitar exploração comercial e garantir benefícios públicos. “O poder público nem sempre tem recursos”, observou, e por isso a parceria com a iniciativa privada pode ser pensada para manter e explorar alguns espaços, com incentivos adequados e foco também nas regiões periféricas.

O debate sobre o futuro dos parques de Ribeirão Preto ocorre em meio a preocupações sanitárias, desafios de manutenção e pressões por melhor planejamento urbano. Especialistas ouvidos defendem ação coordenada entre autoridades e sociedade para ampliar e preservar as áreas verdes da cidade.

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