Ouça a coluna ‘CBN Economia’, com Nélson Rocha Augusto
O Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou a manutenção da taxa de juros em 11%, uma decisão que mantém o Brasil em um cenário econômico peculiar em relação ao resto do mundo. Nelson Rocha Augusto, renomado colunista de economia, oferece uma análise detalhada das razões por trás dessa medida e suas implicações.
A Inflação Persistente
Apesar da queda na inflação corrente, os últimos indicadores não mostram a consistência desejada, com projeções de aceleração inflacionária a partir de setembro. Setores importantes, como a cadeia proteica das carnes, já demonstram uma recuperação notável, exercendo pressão sobre os preços. Além disso, há repasses pendentes nos preços administrados, como combustíveis e tarifas de transporte público, que contribuem para manter as expectativas de inflação elevadas, com analistas prevendo acima de 6% para os próximos 12 meses.
Sem Margem para Redução
Diante desse quadro, o Copom não vê espaço para reduzir a taxa de juros. O comunicado divulgado pelo Banco Central, que será detalhado na ata da próxima semana, sinaliza que a taxa de juros permanecerá nesse patamar por um período prolongado. A expectativa é que não haja mudanças na taxa de juros ainda este ano, e possivelmente nem no primeiro trimestre do ano seguinte.
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O Contraste com o Cenário Global
Enquanto o mundo vive um momento de expansão monetária e redução de juros, o Brasil enfrenta uma situação inversa. Na Europa e nos Estados Unidos, a preocupação com a deflação e a inflação controlada permitem políticas monetárias mais flexíveis. No Brasil, a leniência com a inflação no passado impede que o país acompanhe esse movimento global.
A Necessidade de Ajuste Fiscal
A alta inflação no Brasil exige um combate que vá além da política monetária, com a taxa de juros elevada. É fundamental um apoio do lado fiscal, com uma contenção de gastos nas três esferas de governo (União, estados e municípios). Apenas com um ajuste fiscal rigoroso será possível derrubar as taxas de juros no futuro e promover um crescimento econômico mais sustentável.
A conjuntura econômica atual reflete as decisões passadas em relação à inflação, impactando o potencial de crescimento do país.