Nicholas Boch explica o que causou o desentendimento entre os gamers e a Liga Americana de League of Legends
A greve dos jogadores norte-americanos de League of Legends, ocorrida em maio de 2023 e finalizada após quase um mês, expôs fragilidades na estrutura da liga profissional americana. O sistema de franquias, semelhante ao de outros esportes nos EUA, garante vagas permanentes para times, mas sem sistema de rebaixamento e promoção, criando desafios para a formação de novos atletas.
A Crise na Liga de Formação
O problema central reside na Liga Academy, a liga de formação criada em 2017. Inicialmente, times da liga principal eram obrigados a manter equipes na Academy. Apesar de 50% dos jogadores da liga principal terem vindo da Academy, a falta de um plano de negócios sustentável para a liga de formação fez com que os times a vissem como um fardo financeiro. A crise pós-pandemia no setor de entretenimento digital agravou a situação, levando a liga a revogar a obrigatoriedade de manter times na Academy em maio de 2023.
A Greve e suas Consequências
A decisão da liga teve consequências imediatas. Dois times dispensaram seus atletas e equipes técnicas da Academy, gerando insegurança para mais de 100 profissionais. Em solidariedade, jogadores da liga principal entraram em greve, buscando soluções para o problema. A principal reivindicação era a necessidade de uma estratégia de negócios para a liga de formação, que representaria apenas 15% da folha salarial dos times. A greve destacou a diferença entre o modelo americano e o sucesso de ligas de formação na Coreia e China, onde a Riot Games, dona do League of Legends, conseguiu criar um modelo sustentável e atrativo.
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Lições para o Brasil
A situação nos EUA demonstra a importância de uma estratégia de negócios sólida para ligas de formação. O cenário brasileiro, com o CBLOL (Campeonato Brasileiro de League of Legends) também organizado por franquias, apresenta problemas semelhantes. A ausência de uma base amadora/semiprofissional forte e a falta de um plano de negócios para as ligas de formação podem levar a crises futuras. A paixão da comunidade brasileira pelo League of Legends e o esporte eletrônico, contudo, tem ajudado a mitigar os impactos, com iniciativas de influenciadores criando competições e dando suporte à cena. A discussão sobre direitos trabalhistas e a sustentabilidade das ligas de formação é crucial para o futuro do cenário competitivo brasileiro.



