Organizações informaram que não foram comunicadas pela Prefeitura que, em contrapartida, diz ter autorização do Estado
Polêmica ambiental em Ribeirão Preto: extração de árvores para ciclovia gera revolta
Extração de árvores na Avenida Mourilho Biagem
A extração de árvores na Avenida Mourilho Biagem, em Ribeirão Preto, gerou revolta e protestos de órgãos e entidades ambientais. Imagens de árvores com galhos totalmente cortados viralizaram nas redes sociais, mostrando o impacto da ação. A prefeitura afirma possuir autorização estadual para a retirada, justificando-a como necessária para a construção de ciclovias no âmbito do programa Ribeirão Mobilidade.
Denúncias e questionamentos
O Instituto Ribeirão menos 3 graus, por meio de Joice Freitas, denunciou a supressão de 124 árvores, incluindo espécies nativas e exóticas. A lista oficial da prefeitura, no entanto, não contabilizava todas as árvores retiradas, omitindo, por exemplo, um ipê roxo. A ausência de técnicos da Secretaria do Meio Ambiente no local durante a extração, e a falta de transparência na comunicação com o Conselho Municipal de Defesa do Meio Ambiente (Condema), agravaram a situação. Regina Carneiro, membro do Condema, relatou que o órgão municipal não foi previamente informado sobre os cortes, descobrindo a situação apenas após a denúncia de moradores e entidades.
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Licenças e consequências
A prefeitura alega possuir licença ambiental do Conselho Estadual de Meio Ambiente para a intervenção na Área de Preservação Permanente (APP) do Córrego Retiro Saudoso. Contudo, o Condema questiona a validade da autorização estadual, argumentando que a intervenção em APP requer aprovação municipal. A ausência de diálogo e a falta de transparência geraram desconfiança, levando entidades ambientais a denunciar o caso ao Ministério Público. Apesar da justificativa da prefeitura, a compensação ambiental de 2.670 árvores replantadas não apaga a polêmica, principalmente a dúvida sobre a necessidade da extração, uma vez que em outras avenidas as ciclovias foram construídas sem a supressão de árvores.
A situação evidencia a necessidade de maior diálogo e transparência entre a prefeitura, órgãos ambientais e a sociedade civil na tomada de decisões que impactam o meio ambiente urbano. A análise do Ministério Público sobre a legalidade e a adequação da intervenção, bem como a avaliação dos impactos ambientais e na qualidade de vida da população, serão cruciais para definir o desfecho dessa polêmica.



