Dipirona, antibióticos e até soro fisiológico estão em falta; Adriano Fava explica os fatores para o desabastecimento
A falta de medicamentos essenciais tem gerado preocupação em todo o Brasil. Farmácias e hospitais relatam a escassez de itens básicos, como amoxicilina, dipirona e soro fisiológico. Uma pesquisa da Confederação Nacional de Municípios (CNM) revelou que 80% das prefeituras enfrentam desabastecimento, impactando diretamente a população.
Impacto Regional e Causas do Desabastecimento
A região de Franca, interior de São Paulo, também sofre com a falta de remédios. O delegado do Conselho Regional de Farmácia (CRF) da região, Wilson Rihgone, aponta a guerra na Ucrânia e o lockdown na China como fatores que prejudicaram o fornecimento de insumos para a produção de medicamentos no Brasil. Os principais problemas concentram-se em antibióticos, anti-inflamatórios, analgésicos, antialérgicos e expectorantes.
A Visão do Conselho Regional de Farmácia
O secretário-geral do CRF-SP, Adriano Falvo, destaca a gravidade da situação, alertando para a falta de medicamentos de uso contínuo para doenças crônicas como hipertensão e diabetes. Ele explica que o problema não se limita a um único tipo de medicamento, mas afeta diversos itens simultaneamente, dificultando o planejamento de estoques. O lockdown na China impactou não só a importação, mas também a produção global de insumos farmacêuticos, agravada pela alta demanda durante a pandemia e o aumento de casos respiratórios no inverno.
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Apesar da retomada da produção de princípios ativos (IFAs), o abastecimento mundial ainda é gradual. A falta de antimicrobianos é especialmente preocupante, pois a substituição de concentrações é muitas vezes inviável devido às regulamentações. Pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) enfrentam dificuldades adicionais para substituir medicamentos, enquanto a manipulação de fórmulas magistrais surge como alternativa, embora nem sempre seja acessível a todos.
Perspectivas e Ações
O Ministério da Saúde tem se reunido com representantes municipais e estaduais para discutir soluções. O Conselho Regional de Farmácia recomenda que a população busque alternativas como genéricos ou similares, e mantenha contato com médicos para eventuais substituições. A busca por soluções a longo prazo passa por discussões sobre políticas públicas que reduzam a dependência brasileira de IFAs importados, investindo em produção nacional e tecnologia. Embora não haja previsões precisas sobre a normalização do abastecimento, a expectativa é de que a situação melhore gradualmente, com a população e profissionais de saúde atuando em conjunto para mitigar os impactos da falta de medicamentos.


