Em 2017, 184 pessoas morreram por picadas do aracnídeo no país; de 2013 pra cá, aumento foi de 163%
Em 2017, o escorpião foi responsável por 184 mortes no Brasil, superando serpentes no ranking de animais peçonhentos que mais causam óbitos, segundo dados do Ministério da Saúde. Desde 2013, houve um aumento de 163% no número de mortes por picadas de escorpião, afetando principalmente crianças e idosos.
Casos Recentes e a Demora no Atendimento
A demora no diagnóstico e a falta de soro anti-escorpiônico contribuem significativamente para a alta mortalidade. Em maio, um menino de 8 anos morreu em Ribeirão Preto após ser picado enquanto removia entulho. Em junho, outro menino, de 3 anos, faleceu em Miguelópolis após ser picado em seu quarto; a falta de soro na cidade atrasou o atendimento, agravando o caso. O pai da criança relatou a dificuldade em encontrar o tratamento necessário, descrevendo a ausência de soro anti-escorpiônico e outros antídotos na região.
A Relação entre Escorpiões e Baratas
De acordo com o professor titular do Departamento de Biologia da USP, Dalton de Souza Morim, o controle de escorpiões é difícil devido à abundância de baratas, principal fonte de alimento desses aracnídeos. O sistema de esgoto, repleto de baratas, também abriga uma grande população de escorpiões. Embora medidas como limpeza de terrenos baldios e o fechamento de ralos ajudem a prevenir a entrada de escorpiões em residências, a solução mais eficaz seria controlar a população de baratas nos esgotos, o que se mostra um desafio.
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Prevenção e Distribuição de Soro
A concentração urbana pode ter aumentado a densidade populacional de escorpiões, mas o problema não se restringe a Ribeirão Preto ou região. O Ministério da Saúde firmou contratos com os institutos Butantan e Vital Brasil para o fornecimento de 62 mil frascos de soro anti-escorpiônico em todo o país em 2023. A distribuição ocorre via governos estaduais e municipais.



