Luiz Puntel comenta sobre ‘A Palavra que Resta’, obra que levou o autor à premiação internacional, no ‘Oficina de Palavras’
A Palavra Que Resta: Um livro que te convida à reflexão
O livro A Palavra Que Resta, do escritor cearense Stênio Gardel, é o tema da nossa oficina de palavras desta semana. Premiado nos Estados Unidos, o livro apresenta uma narrativa envolvente e inquietadora que aborda a temática da homossexualidade no contexto da vida rural brasileira.
A história de Raimundo e Cícero: um drama de amor, vergonha e segredo
A trama acompanha Raimundo e Cícero, dois jovens amigos que vivem na zona rural e desenvolvem um relacionamento amoroso. A descoberta do romance pelos pais resulta em uma violenta reprimenda, marcada por agressão física e a imposição de uma cultura machista. A vergonha e o medo de rejeição levam os dois a se afastarem, com Cícero enviando uma carta a Raimundo que este, por não saber ler, não consegue decifrar.
Analfabetismo e homofobia: um ciclo de sofrimento
O livro destaca o impacto do analfabetismo na vida de Raimundo. Impossibilitado de ler a carta de Cícero, ele carrega consigo a vergonha de sua sexualidade e a dor da separação por mais de 50 anos. A incapacidade de decifrar as palavras se torna um símbolo do silenciamento e da opressão que ele sofre, refletindo a realidade de muitos indivíduos marginalizados pela sociedade. A obra nos leva a refletir sobre a intersecção da homofobia e do analfabetismo, e como essas questões contribuem para a perpetuação do sofrimento e da invisibilidade de grupos vulneráveis.
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A Palavra Que Resta é uma leitura que provoca uma profunda reflexão sobre a homofobia, o analfabetismo e a importância da aceitação da diversidade sexual. A narrativa envolvente e a construção dos personagens nos cativam, deixando-nos com a sensação de querer saber mais sobre o conteúdo da carta e o destino de Raimundo. A obra nos convida a repensar nossos preconceitos e a valorizar a empatia e o respeito às diferenças.