Ouça a coluna ‘CBN Sabor’, com Fernando Kassab
No final de sua vida, o renomado escritor Alexandre Dumas, autor de clássicos como “O Conde de Monte Cristo” e “Os Três Mosqueteiros”, enfrentava dificuldades financeiras e desilusão com o mercado literário do século XIX. Dumas, um apreciador da boa mesa, gastou grande parte de sua fortuna em prazeres gastronômicos, momentos que, de certa forma, influenciaram sua obra.
O Legado Culinário de Dumas
A desilusão com o mundo dos romances o levou a escrever sua última grande obra: “O Grande Dicionário de Culinária”. Dumas acreditava que este livro garantiria seu lugar na posteridade, juntamente com seus romances mais famosos. André, tradutor brasileiro da Jorge Zahar Editor, confirma que Dumas estava certo. Seu compêndio sobre alimentos, países, bebidas e etiqueta à mesa se junta às suas obras mais importantes, revelando o lado mais refinado do mestre da literatura universal.
Um Dicionário Inovador
Apesar de ser um dicionário, o livro é um presente para os amantes de histórias bem contadas, humor inteligente e, principalmente, da origem dos ingredientes e das receitas do século XIX. Escrito em um esquema passo a passo, sem firulas e direto ao ponto, o livro apresenta os ingredientes e o modo de preparo juntos no corpo do texto, um formato peculiar da época.
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A Crítica à Culinária Espanhola
Para os leitores, a obra é uma fonte inestimável de conhecimento. Em que outra fonte saberíamos, com humor e estilo, que a comida espanhola, hoje tão celebrada, era alvo de desprezo por Dumas? Ele afirmava que se comia muito mal na Espanha, criticando os ingredientes, a técnica e até pratos clássicos como o puchero, que ele considerava o único prato da culinária espanhola digno de nota.
Século e meio após a publicação original do dicionário, a Espanha se tornou um dos protagonistas da transformação da culinária global. A obra de Dumas permanece essencial, oferecendo uma visão do passado com a garantia da correção de um gênio da literatura.
Que tal preparar uma receita espanhola em homenagem a Alexandre Dumas? E, para embalar o momento, ouça “Volver”, trilha sonora do filme homônimo de Pedro Almodóvar, que, assim como Dumas, renovou sua arte com estilo e personalidade.



