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Escritora e jornalista Susana Berbert lança livro nesta terça em Ribeirão

Obra conta histórias de bolivianos escravizados em São Paulo; evento no Shopping Iguatemi está marcado para às 19h30
lançamento livro Susana Berbert
Obra conta histórias de bolivianos escravizados em São Paulo; evento no Shopping Iguatemi está marcado para às 19h30

Obra conta histórias de bolivianos escravizados em São Paulo; evento no Shopping Iguatemi está marcado para às 19h30

A jornalista Susana Bebert, autora do livro “Bem-vindos”, que conta histórias de bolivianos explorados em São Paulo, lança sua obra hoje na Livraria Cultura do Shopping Iguatemi, das 19h30 às 22h. Em entrevista à CBN, Susana explicou a motivação por trás do livro.

A inquietação inicial e a complexidade do tema

Susana relata que a ideia surgiu de uma inquietação pessoal. Ao ler sobre escravidão moderna e trabalhadores em condições degradantes, percebeu a superficialidade das reportagens, que não exploravam as motivações e o contexto de vida dessas pessoas. Ela descobriu um universo muito mais complexo do que aparentava, com indivíduos que possuem sonhos, dignidade e uma vida própria, muitas vezes ignorada em abordagens preconceituosas.

O desafio da apuração e a história de Silvéria

O contato com os personagens foi um desafio. Susana precisou se policiar para não se tornar mais uma pessoa explorando essas histórias. Ela frequentou locais de convívio boliviano em São Paulo, como a Praça Cantuta e a Missão Paz, até conhecer Silvéria, personagem central do livro. A história de Silvéria, que chegou ao Brasil aos 14 anos e se tornou matriarca de uma família, exemplifica a resistência e a luta por uma vida melhor, mesmo com a anulação da própria liberdade em prol da família. Susana acompanhou a vida de Silvéria por um longo tempo, identificando padrões que se repetem na história de outros bolivianos que trabalham em oficinas de costura.

Reflexões sobre a exploração e o futuro

O livro revela a perversidade da exploração, que se aproveita das privações vividas pelos bolivianos em seu país de origem. Muitos aceitam as condições de trabalho degradantes por considerarem que é melhor do que a situação em seu país, mesmo que imoral. A exploração é naturalizada pelos próprios bolivianos e, consequentemente, pela sociedade. A fiscalização do trabalho escravo no Brasil tem diminuído, mascarando o problema. Susana espera que o livro leve a uma reflexão sobre o consumo consciente e a importância de humanizar o tema da imigração, reconhecendo a dignidade e o valor do trabalho dessas pessoas. A autora destaca a necessidade de questionar nossas ações diárias e a origem dos produtos que consumimos, buscando um olhar mais humano e atento à realidade daqueles que produzem o que compramos.

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