Amara Moira é doutora em teoria literária e apresentou sua obra na Feira do Livro de Ribeirão Preto
A Feira Nacional do Livro de Ribeirão Preto recebeu nesta manhã a escritora trans Amara Moira, doutora em teoria literária, para um debate no Teatro Pedro II. Em seu “Salão de Ideias”, Amara abordou os desafios enfrentados por pessoas trans, especialmente no meio acadêmico, e como o preconceito tem sido combatido ao longo dos anos.
Desafios na Academia e Ressignificação Cultural
Amara destacou o aumento da visibilidade trans nos últimos anos, utilizando esse espaço para ressignificar a cultura. Ela propôs uma releitura de textos clássicos, questionando as formas tradicionais de viver e buscando interpretações alternativas. A escritora também enfatizou a crescente produção literária trans, com mais de 70 obras publicadas desde a década de 80, um número que só aumenta.
A Autobiografia “E se eu fosse puta”
Amara discutiu sua autobiografia, “E se eu fosse puta”, que aborda a realidade da prostituição como um espaço onde mulheres trans e travestis são frequentemente encontradas. A obra busca retratar essa experiência sem rodeios, denunciando a marginalização e a violação de direitos sofridos por esse grupo. A autora ressaltou a presença das pessoas trans em todos os lugares, inclusive aqueles considerados moralmente questionáveis, e a importância de se falar abertamente sobre essas realidades.
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Um Debate sobre Humanidade
Ao ser questionada sobre o público-alvo do livro, Amara preferiu não definir um grupo específico, deixando a obra aberta a quem busca um debate humano sobre gênero, masculinidade, feminilidade, direitos e a existência à margens da sociedade. A participação de Amara na Feira Nacional do Livro proporcionou visibilidade a temas importantes e relevantes, contribuindo para um diálogo necessário sobre inclusão e respeito.



