Escritório de investimento de Ribeirão Preto é suspeito de lavar R$ 47 bilhões em esquema do PCC
As investigações conjuntas da Receita Federal e da Polícia Federal revelaram um esquema bilionário de lavagem de dinheiro envolvendo uma organização criminosa, com ramificações em diversos setores, incluindo o de combustíveis. Um escritório localizado no Jardim Paulista, em São Paulo, era parte central dessa operação.
Operação em Múltiplos Estados
Agentes da Receita Federal e policiais federais cumpriram mandados de busca e apreensão em diversos endereços, incluindo Ribeirão Preto e Jardinópolis. Em Ribeirão Preto, as equipes se dirigiram a prédios comerciais onde funcionavam escritórios financeiros ligados ao grupo. Já em Jardinópolis, a fiscalização ocorreu em uma distribuidora de combustíveis na área industrial, onde o trabalho operacional foi temporariamente suspenso. Robson Barreirinhas, Secretário da Receita Federal, enfatizou que as investigações ainda estão sob sigilo.
Esquema de Fraude e Lavagem de Dinheiro
A investigação, em parceria com o Ministério Público, expôs um esquema robusto de fraude e lavagem de dinheiro, com a importação de R$10 bilhões de metanol pelo Porto de Paranaguá, no Paraná, entre 2020 e 2024. O produto era distribuído para postos de combustíveis, chegando aos consumidores com até 90% de metanol, quando a Agência Nacional do Petróleo (ANP) permite apenas 0,5%.
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Impacto no Consumidor e Setor Financeiro
O esquema criminoso, além de lavar dinheiro, gerava lucros significativos com a produção e venda de combustível adulterado. Centenas de empresas estavam envolvidas, dificultando a detecção da fraude e prejudicando tanto os postos de combustíveis honestos quanto os consumidores. O mecânico Thiago Ferreira de Freitas alertou sobre os danos que o uso de metanol pode causar aos motores dos veículos, diminuindo a vida útil de peças metálicas e componentes plásticos. Glauco Guimarães destacou o papel estratégico de Ribeirão Preto na movimentação financeira do esquema, com uma empresa fintech movimentando R$47 bilhões nos últimos quatro anos.
Ameaças e Coerção
O Ministério Público aponta que a organização criminosa recorria a práticas de coerção, obrigando fazendeiros a venderem suas terras. Há suspeitas de que incêndios em canaviais em atrássto e setembro do ano passado foram provocados para intimidar aqueles que resistiam em negociar suas plantações. A compra de uma distribuidora e postos de combustíveis fazia parte da estratégia para lavar dinheiro e demonstrar poder no mercado.
O Ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ressaltou que o consumidor é a parte mais vulnerável nessa situação. A distribuidora investigada em Jardinópolis afirmou que cumpre rigorosamente suas obrigações fiscais e tributárias, enquanto a usina Karolo, investigada em Pontal, declarou que não é alvo da investigação e tem colaborado com as autoridades.
As investigações em andamento buscam responsabilizar os envolvidos e mitigar os impactos negativos para a sociedade.



