Confira a análise do agrometeorologista Glauco Cortez; ventos em Ribeirão quase chegaram a 100 km/h
Ribeirão Preto e outras cidades da região Centro-Oeste Paulista foram surpreendidas por uma intensa tempestade de poeira na tarde de ontem, com ventos superiores a 90 km/h. O fenômeno, que causou destelhamentos, quedas de árvores e interrupção no fornecimento de energia elétrica, foi explicado pelo agro-meteorologista Glauco Cortez.
Fenômeno meteorológico
Segundo Cortez, a tempestade de poeira, também conhecida como frente de rajada, não foi um evento isolado em Ribeirão Preto. O fenômeno atingiu todo o Nordeste Paulista e partes do Triângulo Mineiro. A ausência de chuvas significativas por 56 dias, com apenas 7 mm registrados entre 28 e 29 de julho, deixou o solo extremamente seco e as partículas de poeira leves o suficiente para serem carregadas pelo vento. Embora comum no inverno, a intensidade do fenômeno de ontem foi atípica, sem registros históricos semelhantes em grande escala na região.
Impactos e consequências
A tempestade de poeira causou diversos problemas, afetando a saúde da população e a agricultura local. A baixa umidade do ar (19% no aeroporto de Ribeirão Preto) dificultou a respiração e irritou as mucosas. A queda brusca de temperatura, embora não tenha impacto significativo nas culturas agrícolas como cana e café, os ventos fortes causaram danos maiores às plantações. A chuva subsequente, com cerca de 50 mm em alguns pontos, ajudou a limpar a atmosfera e a fixar as partículas de poeira no solo, diminuindo a probabilidade de eventos semelhantes em curto prazo.
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Prevenção e futuro
Embora a repetição de um evento dessa magnitude seja improvável devido à chuva e à chegada da primavera, a presença de vegetação é fundamental para mitigar os efeitos de eventos similares. Áreas de preservação e árvores ajudam a reter a umidade e melhoram a qualidade do ar. A recomendação para a população é a ingestão de líquidos para minimizar os efeitos da poeira na saúde. A situação climática se estabilizou após a chuva, e a previsão é de aumento na frequência de chuvas nos próximos meses.



