Com o recesso escolar de Carnaval, muitas famílias enfrentam o desafio de organizar a rotina das crianças que ficam em casa. Sem aulas e, em alguns casos, sem viagens programadas, o tempo diante das telas tende a aumentar, o que acende o alerta de especialistas em educação.
Segundo a diretora escolar e especialista em gestão e educação inclusiva, Gabriela Mazaro, o problema não é a existência da tecnologia, mas o uso excessivo e sem mediação de um adulto, que pode trazer consequências importantes para o desenvolvimento infantil.
Desenvolvimento emocional
De acordo com a especialista, o excesso de telas está ligado ao aumento da irritabilidade, ansiedade e dificuldade de lidar com momentos de tédio. O estímulo rápido e constante, com cores vibrantes e sistemas de recompensa, faz com que outras atividades pareçam menos interessantes.
“O uso da tela sem a mediação de um adulto pode ter consequências muito severas no desenvolvimento infantil”, alerta a especialista em gestão escolar e educação inclusiva.
Ela explica que, ao oferecer o celular em momentos de espera, como em restaurantes ou deslocamentos, as famílias acabam reduzindo oportunidades de interação, conversa e aprendizado emocional. Para a especialista, a tela “silencia a infância” quando substitui o contato direto entre adultos e crianças.
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Aprendizado escolar
No aspecto cognitivo, o principal impacto apontado é a dificuldade de concentração prolongada. O cérebro se acostuma a estímulos rápidos e fragmentados, o que prejudica o foco em atividades que exigem mais tempo e esforço mental.
Segundo Gabriela, isso reflete diretamente no rendimento escolar, já que a criança passa a ter dificuldade em acompanhar explicações mais longas e manter a atenção durante as aulas. Ela orienta que, caso a tela seja utilizada, o ideal é priorizar conteúdos mais longos, com mensagem clara, e sempre com a participação ativa dos pais.
Convivência familiar
A especialista também destaca possíveis impactos na socialização. Com o uso constante do celular, crianças podem apresentar mais dificuldade para conversar e interagir. Ela ressalta que o exemplo precisa partir dos adultos.
Durante o recesso, a orientação é estimular atividades físicas, contato com a natureza, jogos em família, leitura e experiências práticas, como cozinhar juntos. Para Gabriela, o mais importante é a presença ativa dos pais no cotidiano dos filhos.
“Não dá para falar ‘Filho, fique sem a tela no momento da refeição’, se eu estou com a minha ali. O mais importante é você estar presente na vida do seu filho naquele instante”, ressalta.
A recomendação é usar a tecnologia com equilíbrio e intencionalidade, priorizando momentos de qualidade em família e evitando que a tela substitua experiências essenciais da infância.



