As cenas de veículos presos em pontos alagados após as chuvas voltaram a chamar a atenção em Ribeirão Preto. Motoristas que arriscam atravessar vias com acúmulo de água podem enfrentar prejuízos elevados e até a perda total do motor, segundo especialistas.
Em entrevista à CBN, o mecânico Thiago Freitas explicou quais são os principais riscos ao entrar com o carro em áreas alagadas e reforçou que, na maioria dos casos, o prejuízo financeiro é muito maior do que o transtorno de retornar ou buscar um caminho alternativo.
Altura da água
De acordo com Thiago Freitas, a única situação considerada segura para atravessar um trecho com água é quando o nível está abaixo da metade do pneu. Acima disso, o risco de a água ser sugada pelo motor é alto.
O mecânico explicou que a entrada de água ocorre pelo sistema de admissão de ar do motor, e não pelo escapamento, como muitas pessoas acreditam. Quando a água atinge esse ponto, o motor pode sofrer danos graves.
Danos ao motor
Segundo o especialista, quando a água entra no motor, ela impede o funcionamento correto do sistema e pode causar o chamado calço hidráulico, que leva à quebra interna do motor.
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Thiago alertou que, atualmente, mesmo motores de carros populares não ficam abaixo de R$ 10 mil para reparo, e o valor pode ultrapassar R$ 20 mil ou R$ 30 mil, dependendo do modelo e do ano do veículo.
Automático ou manual
O mecânico esclareceu que não há diferença significativa de risco entre carros automáticos e manuais ao atravessar alagamentos. Segundo ele, essa ideia vinha de veículos antigos, que utilizavam carburador, o que não se aplica aos modelos atuais.
A principal diferença entre os veículos está na altura da entrada de ar, que varia conforme o modelo. Carros com a entrada mais alta tendem a resistir um pouco mais, mas ainda assim não oferecem segurança em situações de enchente.
Freios e elétrica
Além do motor, Thiago Freitas destacou que o sistema de freios também pode ser danificado ao sofrer choque térmico ao entrar em contato com água fria após uso intenso. Componentes elétricos e eletrônicos também estão sujeitos a falhas e curtos-circuitos.
Ele explicou que, caso o carro apague no meio da água, o motorista não deve tentar dar partida novamente, pois isso pode agravar os danos mecânicos e elétricos.
“Você está andando e o carro morreu, nem tenta ligar, porque se ele já morreu é porque entrou água. Se você tentar ligar, vai forçar mais ainda o motor”, alerta o mecânico.
Orientação
O especialista reforçou que, diante de um ponto alagado, o mais recomendado é não arriscar. Dar meia-volta, mesmo que isso gere atraso ou transtorno momentâneo, pode evitar prejuízos elevados e riscos à segurança.
Segundo ele, além do motor, alagamentos podem causar danos ao estofamento, à pintura e acelerar processos de corrosão no veículo, tornando o custo final ainda maior.



