Quando vencido, o remédio descartado de forma irregular pode causar sérios danos ao meio ambiente
Todos os anos, 14 mil toneladas de medicamentos vencem no Brasil. A falta de legislação específica sobre o descarte impacta o meio ambiente, pois jogar remédios no lixo comum ou no vaso sanitário causa contaminação.
Riscos da contaminação ambiental
A professora Julieta Oeta, da Faculdade de Farmácia da USP de Ribeirão Preto, alerta para os perigos da contaminação ambiental. O descarte inadequado de medicamentos, mesmo em pequenas quantidades, acumula substâncias nocivas no meio ambiente, contaminando o solo e a água. Estudos em países desenvolvidos já comprovaram a presença de hormônios femininos na água, provenientes do descarte incorreto de anticoncepcionais, com consequências como o desenvolvimento de alguns tipos de câncer.
Soluções e iniciativas locais
Em Ribeirão Preto, a Farmácia da Gente oferece uma solução. Criada há seis anos, o projeto recebe doações de medicamentos dentro da validade, encaminhando-os para unidades de saúde que atendem a população carente. A iniciativa também recebe medicamentos vencidos para descarte adequado. Samantha Pineda, presidente do Fundo Social de Solidariedade, explica que a farmácia complementa os programas de saúde do município, fornecendo medicamentos não disponíveis no SUS. O projeto realizou mais de 32 mil atendimentos em 2017, doando quase 175 mil caixas de medicamentos.
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Recomendações e descarte correto
Além do descarte inadequado, a professora Julieta Oeta destaca o risco da automedicação. Guardar sobras de medicamentos, como antibióticos, para uso futuro é prática perigosa e não recomendada. A orientação é buscar o descarte correto dos medicamentos vencidos ou em desuso através de projetos como a Farmácia da Gente, localizada na Rua Cerqueira César, 383, de segunda a sexta, das 8h às 17h. A iniciativa demonstra a importância da destinação correta dos medicamentos para a saúde pública e a preservação do meio ambiente.



