Vitor Engracia Valenti reforça que o uso de máscara e a adesão ao distanciamento devem continuar sendo praticados
A pandemia de COVID-19 trouxe consigo a necessidade de medidas preventivas para conter o avanço do vírus. Entretanto, a flexibilização dessas medidas, em alguns casos precipitada, pode levar a novos surtos. Conversamos com o professor e pesquisador da Unesp, Vítor Engraça-Valente, para entender melhor essa questão.
Desorganização das medidas preventivas: um risco real
Segundo o professor Vítor, a desorganização nas medidas preventivas se caracteriza pela diminuição do uso de máscaras, principalmente em ambientes fechados, e pelo aumento da participação em aglomerações. Apesar da queda nos números de internações, casos e óbitos, a variante Delta ainda representa uma ameaça, podendo causar novos surtos. A população, em sua percepção de segurança, tende a relaxar as medidas de proteção, o que é um risco considerável.
Medidas restritivas e seus impactos
A Prefeitura de Ribeirão Preto, preocupada com a variante Delta, adotou medidas restritivas, como o fechamento de estabelecimentos até a meia-noite e a ampliação da capacidade de atendimento para 100%. O professor Vítor discorda dessa estratégia, argumentando que a redução do horário de funcionamento, aliada à ampliação da capacidade, pode incentivar aglomerações. Ele defende a manutenção de um horário de funcionamento mais amplo, mas com capacidade reduzida, para evitar a concentração de pessoas em um curto período de tempo. A experiência de outras cidades, com a redução do tempo de circulação de ônibus, demonstra que essa medida, ao invés de reduzir aglomerações, as intensifica em horários específicos.
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Cenários de risco e reinfecção
O professor Vítor destaca que ambientes fechados, sem ventilação, com muitas pessoas e temperaturas abaixo de 21 graus Celsius são ideais para a proliferação do vírus. Eventos com aglomerações, mesmo ao ar livre, também representam um risco significativo. Quanto à reinfecção, ele explica que a imunidade adquirida pela infecção natural pode ser mais forte que a da vacinação, mas que a vacinação, principalmente após uma infecção prévia, aumenta significativamente a proteção. A combinação de diferentes vacinas também pode ser benéfica, estimulando o sistema imunológico de maneiras distintas. Estudos recentes indicam que a variante Delta tem um alto potencial para gerar novas linhagens, possivelmente mais perigosas, reforçando a necessidade da manutenção das medidas preventivas.
Em suma, a pandemia ainda não acabou. A vacinação é fundamental, mas não é suficiente. A combinação de vacinação com o uso de máscaras, distanciamento social e higiene continua sendo crucial para controlar a transmissão do vírus e evitar novos surtos. A vigilância e a adaptação das medidas preventivas às novas variantes são essenciais para um futuro mais tranquilo.


