Ouça a coluna ‘CBN Cidades e Suas Histórias’ Adriana Silva
Neste mês da Consciência Negra, é importante refletir sobre a história da negritude em Ribeirão Preto e sua influência na cultura local. Apesar de pouco visível hoje, a escravidão marcou profundamente a cidade, como demonstrado por pesquisas do professor Sérgio Luiz de Souza.
A Imigração e o Branqueamento da População
A abolição da escravidão e a subsequente lei de imigração trouxeram italianos e japoneses para Ribeirão Preto. No entanto, segundo o professor Souza, essa imigração carregava uma intenção velada de branqueamento da população, com a clara marginalização de pessoas negras.
Resistência e Cultura Negra em Ribeirão Preto
Apesar das dificuldades impostas, a cultura negra se manteve forte em Ribeirão Preto. A repressão política da década de 1960, que culminou no fechamento da UGT (União Geral dos Trabalhadores) e do Clube José do Patrocínio – importante espaço de encontro da comunidade negra – não conseguiu silenciar a resistência. Instituições como o Centro Cultural Urumilácio e o Isegun preservam a memória e a cultura negra, enquanto a Escola de Samba Bambas, fundada em 1927, demonstra a força da tradição afro-brasileira na cidade. A própria Mangueira reconheceu o Bambas como a escola de samba mais antiga do Brasil.
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Um Caminho para a Igualdade
A influência da cultura negra em Ribeirão Preto é inegável, mas ainda há muito a ser feito para superar o legado da escravidão e do racismo. A segregação, que impedia a presença de negros em espaços públicos até a década de 1960, demonstra a urgência de combater o racismo em todas as suas formas. Não basta não ser racista; é preciso combater ativamente o racismo para construir uma sociedade verdadeiramente justa e igualitária, onde a diversidade seja celebrada e o respeito às origens afro-brasileiras seja a norma.



