Paulo Sérgio de Camargo conversou com a CBN Ribeirão
O caso do desaparecimento e morte do pequeno Joaquim chocou o país. Para entender melhor as possíveis motivações e reações dos suspeitos, Natália Ponte e Guilherme Longo, recorremos ao especialista em linguagem corporal Paulo Sérgio de Camargo, que analisou imagens e vídeos dos dois.
A Reconstituição e a Postura de Guilherme Longo
Durante a reconstituição do crime, Guilherme Longo se mostrou impassível diante da multidão exaltada que o acusava. Segundo Paulo Sérgio, essa aparente falta de emoção sugere um distanciamento da realidade. “Ele está criando um mundo no qual ele próprio acredita que não fez nada à criança, embora as provas policiais apontem o contrário”, afirma o especialista.
Ausência de Emoções Genuínas nas Entrevistas
Nas primeiras entrevistas, antes da descoberta do corpo de Joaquim, tanto Natália quanto Guilherme não demonstraram a tristeza esperada de pais que perderam um filho. “O que se espera de uma mãe que perde o filho? Desespero, choro, tristeza, angústia e raiva. Em todas as imagens dela e dele, não vemos uma tristeza real, principalmente nele”, observa Camargo. Ele destaca que, ao receber a notícia da morte do enteado, Guilherme demonstrou medo, enquanto Natália não apresentou surpresa, tristeza ou raiva, indicando um possível conhecimento prévio da morte da criança.
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Premeditação e a Linguagem Corporal de Guilherme
Embora seja difícil afirmar com certeza, a análise das imagens sugere que não houve uma premeditação direta do tipo “vou matar a criança”. As fotos indicam um relacionamento aparentemente normal entre Guilherme e Joaquim. No entanto, o especialista ressalta que Guilherme mentiu muito durante todo o processo e criou uma versão dos fatos na qual ele próprio acredita, utilizando a técnica de falar pouco para evitar contradições. “Existem mentiras, existe uma postura dele, mas em termos de linguagem corporal não podemos afirmar que ele matou”, pondera Camargo.
O Comportamento de Natália e a Falta de Tristeza
A análise do semblante de Natália Ponte também revela a ausência da tristeza esperada de uma mãe que perdeu um filho. “Não há uma tristeza de uma mãe que perdeu um filho. O que mais me impressiona é isso”, declara o especialista. Embora essa falta de emoção possa ser interpretada como um mecanismo de defesa, Camargo destaca que a tristeza genuína só aparece quando ela reconhece o corpo de Joaquim. Nos dias anteriores, o que se observa é medo e um choro que aparenta ser falso, reforçando a suspeita de que ela já sabia da morte do filho.
A análise da linguagem corporal de Natália Ponte e Guilherme Longo revela inconsistências e comportamentos atípicos, levantando questões importantes sobre o caso da morte de Joaquim. As impressões do especialista, contudo, não substituem a investigação policial e o devido processo legal.



