José Luis Coelho aponta os fatores que fizeram o combustível encarecer 34,78% em menos de 50 dias
O Brasil enfrenta uma sequência de aumentos nos preços da gasolina e do diesel, gerando preocupações e mobilizações. Em 2021, houve quatro reajustes na gasolina e três no diesel, impactando diretamente motoristas e consumidores.
Alta de preços: fatores determinantes
Segundo José Luiz Coelho, consultor de agronegócios, a recente alta não se deve a ajustes cambiais. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) tem reduzido a produção, elevando os preços internacionais do barril. Nos últimos quatro dias, o petróleo Brent (cotado em Londres) e o WTI (americano) atingiram patamares próximos a 61 dólares, representando um aumento de quase 6 dólares por barril. A Petrobras, seguindo uma política considerada danosa para o consumidor, repassa esses aumentos, resultando em altas acumuladas de 34,78% na gasolina e 27,72% no diesel em menos de 40 dias.
Impactos e possíveis soluções
A população busca respostas sobre a sustentabilidade desses aumentos. Coelho esclarece que a Petrobras, apesar de ter participação estatal, não tem seus preços definidos pelo governo. O preço final ao consumidor é influenciado significativamente por impostos estaduais (ICMS) e federais. A gasolina, por exemplo, sofre uma incidência de impostos de aproximadamente 29%, enquanto o diesel fica em torno de 14% a 15%. O governo federal anunciou a isenção temporária de impostos federais sobre o diesel por 60 dias (a partir de março de 2021) e a isenção total e indefinida sobre o gás natural. A pressão, portanto, deve se concentrar nos governos estaduais para redução das alíquotas do ICMS.
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Perspectivas e reflexões
A situação impacta toda a cadeia produtiva e o custo de vida da população. O aumento do diesel, por exemplo, afeta o transporte de cargas e o agronegócio, encarecendo produtos. A solução passa por uma ação conjunta, com o governo federal incentivando a redução dos impostos estaduais e os governos estaduais buscando alternativas para manter a arrecadação sem onerar excessivamente a população. A busca por transparência e racionalidade na gestão pública é fundamental para minimizar os impactos negativos dessa crise.



