Moeda brasileira é a oitava do mundo com maior desvalorização; ouça a análise do economista José Carlos de Lima Junior
O preço dos combustíveis no Brasil tem registrado altas constantes, gerando preocupação na população. Para entender as razões por trás desses aumentos, entrevistamos José Carlos de Lima Junior, professor da FGV.
Aumento nos preços: um problema multifacetado
Segundo dados da ANP, entre 24 e 30 de outubro, o litro da gasolina custava R$ 6,33, enquanto entre 31 de outubro e 6 de novembro, subiu para R$ 6,40 (aumento de 1%). O etanol apresentou alta ainda maior, de 4,4% no mesmo período. O professor José Carlos explica que essa situação é complexa e envolve diversos fatores.
Fatores que impulsionam a alta
O Brasil, apesar de possuir grandes reservas de petróleo e ser um grande produtor, enfrenta problemas com o refino. A capacidade de refino diminuiu 17% desde 2001, enquanto a frota de veículos cresceu 53%. Essa diferença leva à necessidade de importação de derivados, como gasolina e diesel. A desvalorização do real frente ao dólar agrava a situação, encarecendo as importações. Além disso, o etanol, combustível alternativo, também sofre com a alta do diesel (utilizado na produção e transporte) e com a própria dinâmica de preços da gasolina, uma vez que o etanol é misturado a ela.
Soluções e responsabilidades
Para conter a alta dos preços, o professor aponta a necessidade de fortalecer o real, evitando sua desvalorização. A criação de um plano de desenvolvimento nacional de longo prazo, que contemple a produção e o consumo de energia, também é crucial. Ele critica a falta de responsabilidade de gestores públicos, que atribuem a culpa a fatores externos, sem assumir a responsabilidade pela gestão do país. A instabilidade política e a cultura de campanha eleitoral permanente também contribuem para o cenário de incertezas e desvalorização da moeda.



