Brasil passa de 22 milhões de casos e 618 mil mortes; ouça Carlos Machado, coordenador do Observatório Covid-19 da Fiocruz
O ano de 2021 terminou com um saldo trágico para o Brasil: mais de 600 mil mortes e 22 milhões de casos confirmados de COVID-19, segundo o boletim do Observatório COVID-19 da Fiocruz. Apesar do avanço da vacinação e da retomada das atividades econômicas, o relatório aponta para um preocupante ‘apagão de informações’, com imprecisão e divergências nos dados que dificultam o combate à pandemia.
Apagão de Dados e Vulnerabilidade do Sistema
Um dos principais problemas destacados pela Fiocruz é a falta de acesso a dados essenciais, agravada por ataques de hackers aos sistemas do Ministério da Saúde, como o ConecteSUS. A dificuldade em emitir certificados de vacinação e o acesso limitado a informações sobre casos, internações e efeitos adversos das vacinas prejudicam o monitoramento da pandemia e a tomada de decisões eficazes. Carlos Machado de Freitas, coordenador do Observatório COVID-19 da Fiocruz, compara a situação a ‘dirigir no escuro’, sem os instrumentos necessários para uma navegação segura.
Vacinação Infantil e Novas Variantes
Outro ponto crucial abordado no boletim é a importância da vacinação infantil. Com o surgimento de novas variantes, como a Ômicron, a eficácia das vacinas pode ser reduzida, tornando a imunização completa da população, incluindo crianças e adolescentes, fundamental. A resistência do governo federal à vacinação de crianças de 5 a 11 anos, demonstrada por meio de consultas públicas, é vista como um retrocesso no combate à pandemia. A Fiocruz enfatiza que a proteção individual só é eficaz quando coletiva.
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Desafios e Perspectivas
Embora o Brasil tenha passado pelo pior momento da pandemia, com redução significativa de casos e internações, a Fiocruz alerta que a COVID-19 ainda não acabou. O surgimento de novas variantes e a imprevisibilidade de sua transmissibilidade exigem a manutenção da vigilância e o fortalecimento da vigilância genômica. A necessidade de medidas de proteção, como o uso de máscaras e a higienização das mãos, é ressaltada, principalmente em momentos de maior circulação de pessoas. A preocupação se estende à influenza H3N2, com aumento de casos e a possibilidade de transmissão comunitária. A Fiocruz reforça a importância de combater a desinformação e as fake news, que prejudicam o enfrentamento da pandemia.
O relatório da Fiocruz evidencia a complexidade do cenário atual e a necessidade de ações coordenadas para enfrentar os desafios da pandemia, incluindo o aprimoramento dos sistemas de informação, a ampliação da vacinação e a conscientização da população sobre a importância das medidas preventivas. A vigilância constante e o acesso a informações confiáveis são cruciais para garantir a saúde pública.



