Além de mais transmissiva a cepa é mais agressiva que outras variantes; quem explica é o pesquisador Vitor Engrácia Valenti
Uma nova projeção do pesquisador do Instituto Adolfo Lutz e professor da Unesp de Marília, Vítor Ingrácio Avalente, indica que a circulação da variante indiana do coronavírus em São Paulo pode agravar a terceira onda da pandemia. Estudos apontam que essa variante é mais agressiva ao organismo.
Variante Indiana: Disseminação e Agressividade
Segundo Avalente, a variante indiana (B.1.617) se dissemina rapidamente, com crescimento exponencial de casos. Experimentos em animais mostraram efeitos mais agressivos nos pulmões e intestino. Sua capacidade de driblar o sistema imunológico, semelhante à variante P1, é uma preocupação, pois pode aumentar a taxa de reinfecção, possivelmente superando a P1 em agressividade.
Impacto e Medidas Preventivas
Embora pessoas infectadas pelas primeiras linhagens do vírus apresentem alguma proteção, ela não garante imunidade contra novas variantes. A variante P1, por exemplo, já demonstra rápida proliferação e piora dos sintomas. Ainda não se sabe se quem teve P1 pode ser reinfectado pela variante indiana. Avalente defende a testagem em massa, rastreamento e isolamento de contatos, como modelo de sucesso em Taiwan, para conter a disseminação. Medidas de controle por curtos períodos, como uma semana, são ineficazes; o ideal seria um mínimo de quatro semanas para resultados consideráveis na redução de internações.
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Terceira Onda e Cenários Futuros
A variante indiana pode agravar a terceira onda, especialmente em São Paulo, devido ao grande fluxo de pessoas entre cidades e estados. Assim como a variante P1 intensificou a segunda onda após aglomerações em Manaus, a variante indiana pode piorar a terceira onda, potencialmente superando em gravidade as anteriores. A adaptação da variante ao clima e características de cidades como Ribeirão Preto é um fator a ser considerado. Projeções, tanto otimistas quanto pessimistas, auxiliam o poder público na tomada de decisões e na implementação de políticas públicas eficazes em saúde.



