Nesta semana um idoso de 91 anos se envolveu em uma colisão de trânsito quando estava a caminho do trabalho
Um acidente envolvendo um carro e um caminhão na Rodovia Cândido Portinari, próximo a Brodowski, reacendeu um importante debate: a capacidade de motoristas idosos de permanecerem ao volante. O caso envolveu um condutor de 91 anos, que, felizmente, saiu ileso do acidente, levantando questionamentos sobre a idade e a segurança no trânsito.
Motoristas Idosos e os Riscos no Trânsito
Conversamos com o geriatra Dr. André Junqueira, que apontou que motoristas com 70 anos ou mais apresentam maior risco de acidentes por quilômetro rodado em comparação com motoristas abaixo dos 50 anos. A frequência de direção também é um fator crucial; motoristas que dirigem esporadicamente tendem a apresentar mais riscos. Diversos fatores contribuem para isso, incluindo problemas de saúde que afetam visão, cognição e capacidade muscular, além do uso de medicamentos com efeitos sedativos. Uma infração comum entre motoristas mais velhos é a falha na preferência em ultrapassagens, muitas vezes devido à dificuldade em processar informações e julgar a velocidade e distância de outros veículos.
Legislação e Exames Médicos
O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) não estabelece uma idade máxima para dirigir. Os exames médicos para a renovação da carteira de habilitação, embora periódicos, não garantem a plena capacidade psicomotora do condutor. O Dr. Junqueira destaca sinais de alerta que familiares e amigos devem observar: dificuldade em lembrar rotas, desobediência a sinais de trânsito, tomada de decisões lentas, velocidade inadequada, nervosismo excessivo, colisões frequentes, dificuldade em manter-se na faixa, erros em cruzamentos e confusão entre os pedais. A presença frequente desses sinais indica a necessidade de consulta médica especializada e, possivelmente, a suspensão temporária da direção.
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Responsabilidade e Conscientização
A advogada especialista em trânsito Ademar Padrão reforça que o CTB não define idade máxima para dirigir, exigindo apenas imputabilidade penal, alfabetização e documento de identidade para a primeira habilitação. A partir de certa idade, a frequência de renovação da carteira diminui, permitindo uma avaliação mais regular. Embora os exames não avaliem completamente a capacidade psicomotora, eles podem detectar problemas de visão. Ademar destaca que a responsabilidade pela segurança no trânsito também recai sobre a família e o próprio idoso. A conversa franca e o bom senso são fundamentais para garantir a segurança de todos. A decisão de parar de dirigir deve ser individual e consciente, priorizando sempre a segurança e o bem-estar.



