Cidades da região lideram o ranking de queimadas no estado; confira a análise da engenheira florestal Regina Carneiro
As cidades da região de Ribeirão Preto lideraram o ranking de incêndios em São Paulo durante a estiagem prolongada de 2023, agravada pela seca de 2022. Os prejuízos com a destruição de lavouras, florestas e áreas de preservação permanente ainda estão sendo calculados.
Impacto ambiental e a necessidade de recuperação
A região já apresentava baixa cobertura vegetal nativa (menos de 10%) antes da estiagem. A bióloga Regina Carneiro, engenheira florestal e presidente da Sociedade de Proteção Regional do Meio Ambiente, destaca a lentidão do processo de recuperação, que pode levar décadas. Ela aponta a necessidade de ações contínuas de manejo, reflorestamento e cultivo, principalmente em áreas próximas a rios.
Prevenção e a falta de estruturação
A especialista destaca a importância da prevenção, afirmando que a gravidade dos incêndios deste ano se deve a uma combinação de baixa umidade e falta de estruturação. Apesar do programa estadual “Corta Fogo”, a estrutura disponibilizada para prevenção e combate a incêndios parece insuficiente, deixando os municípios desprovidos de recursos para ações efetivas de prevenção e fiscalização. A recuperação de áreas degradadas nas margens de rios e nascentes também é crucial.
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Ações necessárias para o futuro
Regina Carneiro enfatiza a urgência de ações, principalmente voltadas para a zona rural, muitas vezes negligenciada em detrimento da área urbana. Ela destaca a importância da parceria com proprietários rurais, incentivando a preservação de áreas verdes por meio de pagamentos por serviços ambientais. A oficina organizada pelo Comitê da Bacia do Pardo, em 9 de novembro, visa esclarecer prefeituras, proprietários rurais e ONGs sobre projetos de recuperação financiados pelo Fundo Estadual de Recursos Hídricos. A recuperação total da área devastada pode levar de 20 a 30 anos, dependendo da intensidade das ações implementadas. Ações como o isolamento de áreas, fornecimento de mudas e sementes e o estímulo ao plantio são fundamentais para acelerar o processo. É necessário um planejamento a longo prazo, deixando de lado ações imediatistas.
A entrevista finaliza com informações sobre a oficina online do dia 9 de novembro, que abordará a elaboração de projetos e o acesso a recursos financeiros para recuperação ambiental. A participação é aberta a todos os interessados. Os municípios que mais sofreram com incêndios em 2023 foram Barretos, Olímpia, Pitangueiras, Morro Agudo, Santa Rosa de Viterbo, São Simão, Cajuru e Batatais.



