Domingos Alves afirma que o ‘toque de recolher’ não surtiu efeito e que o aumento de leitos não freia o avanço da pandemia
O governo de São Paulo anunciou o rebaixamento de todas as regiões do estado para a fase vermelha a partir de sábado, ampliando também o horário do toque de recolher para minimizar a circulação de pessoas à noite e de madrugada. A medida ocorre em meio à segunda onda de contaminação do coronavírus, com o estado enfrentando um aumento expressivo de casos e internações.
Cenário crítico de ocupação hospitalar
A taxa de ocupação de leitos de UTI no estado de São Paulo está beirando os 90%, com um número de internações semelhante ao pico da primeira onda da pandemia. O professor Domingos Alves, do laboratório de inteligência em saúde da USP de Ribeirão Preto, alerta que a situação é crítica e que medidas mais drásticas foram necessárias antes. Ele destaca que a política de ampliação de leitos, embora importante, não foi suficiente e que medidas para diminuir a circulação do vírus deveriam ter sido implementadas antes.
Medidas insuficientes e a necessidade de ações complementares
Para o professor Alves, a fase vermelha, que não é um lockdown, pode ser eficaz, mas precisa ser complementada por outras ações. Ele sugere a ampliação de testes, rastreamento de contatos, barreiras sanitárias entre regiões e redução do fluxo de pessoas. A manutenção da abertura de escolas e igrejas, consideradas serviços essenciais, é questionada pelo especialista, que aponta o risco de aglomerações e a exposição de profissionais.
Leia também
A guerra de narrativas e a importância da conscientização
O professor Alves destaca a “guerra de narrativas” que permeou a gestão da pandemia no Brasil, com aglomerações e desrespeito às medidas de distanciamento social. Ele enfatiza a necessidade de uma campanha massiva de conscientização da população sobre a gravidade da situação, a importância da vacinação e o perigo das novas cepas do vírus. A baixa taxa de vacinação no Brasil é apontada como um fator crucial para o agravamento da crise. A falta de controle sanitário na mobilidade entre estados também contribuiu para a disseminação do vírus.



