Falta de investimentos e a pouca conscientização da população, são os fatores que mais influenciam no problema
Desde a última chuva forte em Ribeirão Preto que deixou dezenas de pessoas desalojadas, a prevenção a enchentes em pontos críticos da cidade tem sido questionada. A deficiência em infraestrutura e planejamento urbano exige melhorias urgentes.
Prevenção ineficiente: um problema nacional
Para Maria José Galeno, coordenadora da Comissão de Estudos de Governança da OAB, o problema não se limita a Ribeirão Preto. Muitas cidades brasileiras não investem adequadamente em prevenção a enchentes. A Defesa Civil municipal precisa estar estruturada com máquinas e um plano logístico para o resgate e realocação imediata das pessoas atingidas. A integração com centros de monitoramento de desastres, como o de São José dos Campos e o Centro Nacional em Brasília, deveria agilizar o socorro, mas na prática, o sistema apresenta atrasos.
Fatores contribuintes para os alagamentos
O relevo da cidade, o asfalto impermeabilizante e a falta de manutenção das obras contribuem significativamente para os transtornos. O professor doutor em Engenharia Civil, Anderson Manzoli, explica que a combinação de pavimento inadequado, sistema de drenagem insuficiente ou mal conservado, e a impermeabilização de áreas que antes eram permeáveis, resultam nos pontos de alagamento. A Prefeitura de Ribeirão Preto afirma possuir um cronograma de atendimento aos locais que necessitam de limpeza, e solicita a colaboração da população para evitar o descarte de lixo em vias públicas. Quanto às 30 famílias da Favela Locomotiva afetadas em outubro, a Justiça e o Ministério Público analisam medidas de reintegração de posse e possível remanejamento.
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Situação em outras cidades
O problema não se restringe a Ribeirão Preto. Em Araraquara, mesmo com barreiras, comerciantes da região da Viz. Preça sofrem com alagamentos. O engenheiro Michel Dantas sugere a construção de grandes piscinas de contenção e um estudo da microbacia para definir pontos de contenção e melhorar a rede de drenagem. Em Franca, os córregos Bagres e Cubatão transbordam com chuvas mais fortes, alagando avenidas importantes. A prefeitura realiza apenas limpezas de bocas de lobo e reconhece a necessidade de reparos em pontes, mas enfrenta falta de recursos financeiros para as obras necessárias.
Em resumo, a prevenção a enchentes requer um esforço conjunto de investimento em infraestrutura, planejamento urbano eficiente e conscientização da população. A falta de recursos financeiros e a complexidade dos problemas demandam soluções integradas e de longo prazo para minimizar os impactos das chuvas fortes em diversas cidades brasileiras.



