Segundo Claudia Passador, as classes menos favorecidas são as que ficam mais expostas ao contágio pela Covid-19
Desde o ano passado, as desigualdades sociais se agravaram em Ribeirão Preto e região devido à pandemia, com o fechamento de empresas e postos de trabalho afetando principalmente trabalhadores informais, que dependiam da renda diária para sobreviver. Sem reservas financeiras, muitos se viram em situação de vulnerabilidade extrema, recorrendo a medidas desesperadas para garantir o sustento, como apresentações de rua.
Aumento da Vulnerabilidade Social
A pandemia expôs a fragilidade de muitos trabalhadores do comércio e serviços, aumentando a dependência de auxílios governamentais, assistentes sociais e da solidariedade da população. Apesar do espírito solidário dos brasileiros, os recursos disponíveis estão se esgotando, enquanto a demanda por ajuda cresce, aprofundando a crise.
Ações Governamentais e Iniciativas Locais
A Associação Comercial e Industrial de Ribeirão Preto (ACIRP) solicitou apoio à prefeitura para empresários afetados. Em Franca, um auxílio emergencial municipal de R$ 300,00 por três meses foi concedido a mil pessoas, enquanto em Ribeirão Preto, um projeto de auxílio emergencial ainda não foi concretizado, apesar do anúncio.
A Necessidade de Políticas Públicas Eficazes
A professora Cláudia Passador, especialista em gestão pública da USP de Ribeirão Preto, destaca a falta de coordenação federativa no combate à pandemia como um fator crucial para o agravamento da situação. A ausência de diretrizes do Ministério da Saúde e a falta de planejamento estratégico local contribuíram para a ineficácia das medidas. A especialista defende ações mais localizadas, levando em consideração as características de cada região, e a importância de cadastros eficientes para direcionar os recursos a quem realmente precisa. A professora também aponta a desigualdade social e a falta de infraestrutura como fatores que dificultam o controle da pandemia e a recuperação econômica. A falta de coordenação entre os níveis de governo e a dicotomia entre saúde e economia geram conflitos e impedem soluções eficazes. Ações coordenadas, com a participação da sociedade civil, são essenciais para minimizar os impactos da crise e garantir o mínimo de dignidade à população.



