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Especialista em ginecologia e obstetrícia fala sobre risco do zika vírus para as grávidas

Professor da USP Ribeirão Geraldo Duarte esteve na CBN Ribeirão para conversar com Marcos Frateschi e Rosana Zaidan
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Professor da USP Ribeirão Geraldo Duarte esteve na CBN Ribeirão para conversar com Marcos Frateschi e Rosana Zaidan

Professor da USP Ribeirão Geraldo Duarte esteve na CBN Ribeirão para conversar com Marcos Frateschi e Rosana Zaidan

O Zika Vírus tem sido uma preocupação crescente, especialmente para gestantes. Para entender melhor os riscos e desafios associados a essa infecção, conversamos com o Prof. Geraldo Duarte, especialista em ginecologia e obstetrícia da USP, que compartilhou informações cruciais sobre o tema.

Impacto do Zika Vírus em Gestantes

Embora a infecção pelo Zika vírus geralmente se manifeste de forma mais branda em gestantes, a grande preocupação reside no impacto sobre o feto. A microcefalia, uma condição em que o bebê nasce com o cérebro menor do que o normal, é uma das consequências mais graves e amplamente divulgadas. No entanto, o alcance total dos malefícios do Zika ainda está sendo investigado. Estudos indicam que o vírus tem um tropismo por células do sistema nervoso central, mas ainda não se sabe se os danos se limitam ao desenvolvimento cerebral. Há relatos de comprometimento retiniano em bebês infectados, o que pode levar à cegueira.

Desafios no Diagnóstico e Acompanhamento

O diagnóstico do Zika vírus em gestantes pode ser um processo demorado, pois os exames, realizados pelo Instituto Adolfo Lutz em São Paulo, são complexos e centralizados. Em Ribeirão Preto, por exemplo, há um número significativo de grávidas com suspeita de infecção, identificadas por sintomas como vermelhidão na pele e mal-estar. As gestantes com diagnóstico confirmado são acompanhadas em ambulatórios especializados, onde os médicos buscam determinar o alcance real dos danos causados pelo vírus. O objetivo é identificar casos intermediários e avaliar em que fase da gestação a microcefalia começa a se desenvolver, além de investigar outras possíveis alterações.

Estratégias de Prevenção e Orientação

Na ausência de uma vacina, a prevenção é a principal arma contra o Zika vírus. As estratégias incluem a redução do número de mosquitos transmissores, o uso de repelentes e roupas que protejam o corpo da picada do mosquito. A orientação para evitar a gravidez durante o período de maior risco também é importante, embora sua eficácia seja limitada, já que muitas gestações não são planejadas. O apoio familiar e uma vigilância constante são fundamentais para proteger a gestante e o bebê.

Prematuridade e Outras Complicações

O nascimento prematuro é uma preocupação adicional em casos de infecção por Zika vírus. Existem três cenários possíveis: se a infecção foi resolvida e não houve danos ao feto, não há evidências de aumento do risco de prematuridade; se a mãe está com infecção aguda, o bebê pode nascer antes do tempo; e se o feto foi acometido por microcefalia ou outros danos, o risco de prematuridade é maior. Além da microcefalia, outras complicações estão sendo avaliadas, especialmente em gestantes com infecção aguda.

Embora ainda existam muitas perguntas sem resposta sobre o Zika vírus, a comunidade científica está trabalhando arduamente para entender os mecanismos da infecção e desenvolver estratégias de prevenção e tratamento.

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