Ouça a entrevista completa com Marcelo Pereira, Docente do Departamento de Biologia da USP de Ribeirão Preto
Toda vez que chove forte em Ribeirão Preto, os problemas estruturais da cidade ficam evidentes. A falta de planejamento urbano e a pouca atenção à questão ambiental resultam em enchentes e inundações. Para discutir soluções de médio e longo prazo, conversamos com o ambientalista e professor da USP de Ribeirão Preto, Marcelo Pereira.
Planejamento Urbano e Áreas Verdes
Segundo o professor Pereira, o primeiro passo para resolver o problema é a criação de um plano diretor eficiente que priorize as áreas verdes. Ribeirão Preto possui mais de um milhão de metros quadrados de áreas verdes abandonadas na zona leste. Um plano de arborização bem elaborado, com a definição de locais adequados para o plantio de árvores (considerando fiação elétrica e infraestrutura), é fundamental. A falta desse planejamento, aliada à ausência de fiscalização, resulta em árvores plantadas de forma inadequada, que posteriormente causam problemas e danos.
Gestão Pública e Responsabilidade Ambiental
O professor destaca a responsabilidade do poder público na questão ambiental. Ele aponta que os loteamentos deveriam destinar, no mínimo, 20% de sua área para espaços verdes públicos. A ocupação irregular de áreas verdes, inclusive por órgãos públicos, é um problema recorrente. Apesar de Ribeirão Preto ocupar a 12ª posição no ranking estadual de eficiência dos planos ambientais, o professor alerta para a falta de transparência e precisão nos dados apresentados, como no caso do tratamento de esgoto, onde a realidade diverge do que é oficialmente divulgado.
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Soluções e Ações Necessárias
Para o professor Pereira, é preciso ir além de soluções paliativas e investir em um planejamento de longo prazo que contemple a expansão urbana de forma sustentável. Isso inclui a incorporação de intenções ambientais no plano diretor, evitando a construção em áreas de preservação permanente. A educação ambiental e a participação da sociedade são cruciais para a mudança de cenário. A população precisa se engajar, participar de conselhos e associações, e cobrar do poder público o cumprimento das leis ambientais. Somente com a união de esforços e um planejamento adequado será possível construir uma cidade mais resiliente e sustentável.



