Médico José Sebastião afirma que as cirurgias de ‘urgência eletiva’ estão sendo feitas para evitar o agravamento dos pacientes
A pandemia de coronavírus causou uma demanda reprimida de cirurgias eletivas em todo o país, deixando milhares de pessoas em espera por procedimentos médicos. Em Franca, por exemplo, cerca de 14 mil pessoas aguardam cirurgias, um problema agravado pela falta de recursos públicos.
Recursos insuficientes e longas filas de espera
A cidade de Franca estima precisar de R$ 20 milhões para atender a demanda reprimida, um valor que a prefeitura não possui. Para solucionar a situação, a administração municipal busca repasses do governo estadual, auxílio da Câmara dos Vereadores e parcerias com hospitais privados. Essa situação reflete a realidade de muitos municípios brasileiros, onde o sistema de saúde pública enfrenta dificuldades para lidar com as consequências da pandemia.
O impacto da pandemia na saúde pública
A pandemia impactou não apenas os pacientes, mas também a estrutura dos hospitais públicos. A reorganização para retomar as cirurgias eletivas, consultas e exames, aliada à demanda pré-existente, gerou um enorme desafio para as secretarias de saúde. O Hemocentro de Ribeirão Preto, responsável por atender um terço do estado de São Paulo, recebeu R$ 5 milhões do governo estadual para manter suas atividades, demonstrando a gravidade da situação.
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Desafios e soluções
Em entrevista, o médico José Sebastião dos Santos, especialista em saúde pública e cirurgião, explicou a situação crítica, destacando a necessidade de priorizar cirurgias de urgência eletiva para evitar complicações graves e até mesmo mortes. Ele apontou a falta de recursos financeiros e a escassez de servidores como fatores que comprometem o atendimento à população. A falta de atualização da tabela do SUS e a má gestão dos recursos públicos em todos os níveis de governo também foram mencionados como entraves para uma solução eficaz. A falta de investimento em políticas públicas de saúde nos últimos anos contribuiu para a atual crise, comprometendo a capacidade de resposta do sistema e colocando em risco a saúde da população.



