Professor da faculdade de medicina de Ribeirão, José Sebastião dos Santos, analisa decisão da Prefeitura
A Prefeitura de Ribeirão Preto anunciou o remanejamento de psicólogos e assistentes sociais das Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), gerando preocupações sobre a qualidade do atendimento à população. Para entender melhor a situação, conversamos com o Dr. Sebastião dos Santos, médico e professor de medicina da USP Ribeirão Preto, especialista em saúde pública.
Impacto na Saúde Pública
Segundo o Dr. Sebastião, a retirada desses profissionais das UPAs representa um retrocesso. Há 22 anos, a inclusão de psicólogos e assistentes sociais nas unidades de emergência mostrou-se fundamental para um acolhimento mais completo dos pacientes. Muitas vezes, a urgência médica está associada a problemas psicossociais, que demandam atenção especializada. A equipe médica, focada no tratamento físico, não consegue lidar com a complexidade dessas situações.
A Visão Reducionista da Prefeitura
O Dr. Sebastião critica a visão quantitativa e reducionista da prefeitura sobre o atendimento. Afirma que a eficácia do trabalho desses profissionais não se mede apenas pelo número de atendimentos, mas pela capacidade de lidar com situações complexas, muitas vezes envolvendo questões familiares, sociais e até mesmo policiais. A avaliação da prefeitura ignora a importância da interface entre saúde física e saúde mental/social, que são intrinsecamente ligadas e não podem ser separadas.
Consequências da Remoção
A ausência de psicólogos e assistentes sociais nas UPAs pode ter consequências graves. O Dr. Sebastião destaca o risco do agravamento de casos de violência doméstica, vulnerabilidade social e outros problemas que poderiam ser identificados e encaminhados precocemente por esses profissionais. As UPAs, muitas vezes, funcionam como um primeiro ponto de contato com o sistema de saúde, e a presença desses profissionais qualifica o acolhimento e permite intervenções cruciais. A sobrecarga do sistema, somada à complexidade dos casos atendidos nas UPAs, torna a presença desses profissionais ainda mais vital.
Em suma, a decisão da prefeitura demonstra uma compreensão limitada da complexidade do atendimento em saúde. A remoção dos profissionais especializados das UPAs compromete a qualidade do atendimento, impactando negativamente a população de Ribeirão Preto e demonstrando uma visão simplista e quantitativa do cuidado em saúde.



