Doutor José Sebastião dos Santos afirma que muitas pessoas estão morrendo por falta de atendimento adequado
Em entrevista à CBN, o presidente da Fundação Pio XII, Henrique Prata, alertou para o colapso da região de saúde 5, com profissionais de saúde improvisando atendimentos devido à falta de recursos para abertura de leitos de UTI.
Falta de leitos de UTI e aumento de mortes
A falta de leitos de UTI tem levado a óbitos, como o da aposentada Vanda Lúcia Pereira, que faleceu após ficar em uma ala improvisada, o Gripário, inicialmente destinada a pacientes com sintomas leves de Covid-19. Atualmente, devido à falta de vagas em UTI, o Gripário está atendendo casos graves, com cerca de 150 pacientes por dia. A chefe da Unidade de Pronto Atendimento, Maria Carolina Favareto, confirmou a situação improvisada e a sobrecarga do sistema.
Variante P1 e risco de novo epicentro
A predominância da variante P1 (amazônica) preocupa, pois é mais contagiosa e causa sintomas mais graves. Estimativas apontam que 9 em cada 10 infectados em Ribeirão Preto carregam a variante. Sendo Ribeirão Preto um polo logístico, há risco de se tornar um novo epicentro de disseminação da variante no Brasil.
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Opinião de especialista e cenário crítico
O médico especialista em saúde pública, José Sebastião dos Santos, do HC, reforça a gravidade da situação, descrevendo o sistema como “estrangulado”. A ocupação de leitos de UTI está em torno de 94-95%, com alta taxa de ocupação também na saúde privada. A situação é agravada pela presença de outras doenças, pacientes que aguardavam tratamento e a dificuldade em encontrar profissionais para plantões, especialmente em UTI. O especialista aponta três problemas crônicos: financiamento insuficiente, formação inadequada de recursos humanos e governança ineficiente. A situação improvisada, exemplificada pelo Gripário em Bebedouro, demonstra os riscos de um atendimento precário, com impactos na letalidade e sequelas a longo prazo. O especialista alerta para a necessidade de investimentos em longo prazo na saúde e educação, criticando a falta de aprendizado com pandemias anteriores e a disputa política que prejudica a população.
Apesar da Secretaria de Estado da Saúde afirmar que a central de regulação de vagas prioriza os casos mais urgentes e que o número de UTIs triplicou durante a pandemia, prefeituras locais afirmam que a situação continua crítica devido à falta de profissionais e insumos. A abertura de novos leitos não resolve o problema sem a resolução dessas outras questões.



