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Especialista pede cautela na retomada das aulas presenciais

José Marcelino Pinto lembra que o sistema educacional conta com pessoas de grupos de risco e não apenas jovens sadios
retomada aulas presenciais
José Marcelino Pinto lembra que o sistema educacional conta com pessoas de grupos de risco e não apenas jovens sadios

José Marcelino Pinto lembra que o sistema educacional conta com pessoas de grupos de risco e não apenas jovens sadios

A volta às aulas presenciais em Ribeirão Preto tem gerado debates acalorados. A prefeitura, em conjunto com a Secretaria Municipal de Educação, anunciou uma entrevista coletiva para o dia 25, para detalhar o planejamento e o cronograma de retorno.

Datas e Modalidades de Retorno

A rede estadual de ensino retornará às aulas presenciais em 1º de fevereiro. Já a rede municipal manterá a data de 8 de fevereiro para o ensino fundamental. O ensino infantil, devido às dificuldades em manter o distanciamento e o uso de máscaras em crianças pequenas, terá retorno previsto para 1º de março. O modelo híbrido, com revezamento entre aulas presenciais e remotas, será adotado, independentemente da fase do Plano São Paulo.

Polêmicas e Preocupações

A decisão tem gerado controvérsias. Especialistas em educação, como o professor José Marcelino de Resende Pinto (USP e membro do Conselho Municipal de Educação de Ribeirão Preto), apontam preocupações. O professor utiliza a metáfora de uma viagem noturna, onde o cansaço pode levar a acidentes próximos ao destino. Assim como a população anseia pelo retorno à normalidade, a pressa em retomar as aulas presenciais sem os devidos cuidados pode ser prejudicial. A preocupação não se limita às crianças, mas abrange professores, funcionários e famílias, muitos em grupos de risco. A falta de fiscalização em outros setores, como bares e restaurantes, também é criticada, uma vez que estes permanecem abertos enquanto as escolas permanecem fechadas.

Caminhos para um Retorno Seguro

O professor Pinto defende a prioridade em manter o contato com as famílias, principalmente as mais carentes, muitas vezes sem acesso à tecnologia e aos recursos necessários para o ensino remoto. Ele sugere um mapeamento para identificar essas famílias e implementar estratégias de suporte, como visitas domiciliares com os devidos protocolos de segurança. A busca por soluções criativas, como a parceria da prefeitura com operadoras de celular para disponibilizar chips com internet, também é destacada. A recuperação da aprendizagem perdida durante o período de aulas remotas deve ser um processo gradual e contínuo, considerando a complexidade do aprendizado e a necessidade de adaptação. A ideia de simplesmente “rechear” a cabeça das crianças com informações, como se fosse um copo vazio, é considerada equivocada. O foco deve ser na adaptação e no suporte às famílias, buscando um retorno seguro e gradual às aulas presenciais, sem abrir mão dos cuidados necessários para conter o avanço da pandemia.

A discussão sobre a volta às aulas presenciais em Ribeirão Preto demonstra a complexidade de equilibrar a necessidade de retomada do aprendizado presencial com a segurança e o bem-estar de toda a comunidade escolar. A busca por soluções criativas e um planejamento cuidadoso são fundamentais para garantir um retorno responsável e eficaz.

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