A crescente presença de influenciadores digitais falando sobre medicamentos controlados nas redes sociais tem acendido um alerta entre especialistas da área da saúde. O avanço desse tipo de conteúdo preocupa por misturar relatos pessoais, publicidade e informações sem respaldo técnico, o que pode incentivar a automedicação e trazer riscos à população.
Segundo especialistas, o ambiente digital favorece a disseminação rápida de conteúdos imprecisos, muitas vezes sem transparência sobre patrocínios ou sem indicação de que o material possui caráter publicitário. A preocupação também envolve medicamentos controlados, cuja divulgação para o público leigo é proibida.
Riscos online
A diretora de marketing da Doutor Fisiologia, Renata Steinbach, afirmou que muitos influenciadores sem formação na área da saúde acabam tratando medicamentos como soluções universais, utilizando experiências pessoais para estimular o consumo.
Ela destacou que o uso de frases como “funcionou para mim” pode induzir pessoas a utilizarem remédios inadequados para a própria condição de saúde, sem avaliação médica. Segundo Renata, cada organismo reage de forma diferente, o que torna indispensável a orientação profissional antes de iniciar qualquer tratamento.
A especialista também alertou para os riscos de automedicação, intoxicação, interações medicamentosas e até agravamento do quadro clínico em casos mais graves.
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Divulgação proibida
Renata explicou que medicamentos que exigem prescrição médica não podem ser divulgados ao público nas redes sociais, inclusive por médicos. Segundo ela, esse tipo de comunicação só pode ocorrer entre profissionais da saúde.
Ela ressaltou ainda que órgãos reguladores, como a Anvisa, possuem regras específicas para publicidade médica e divulgação de medicamentos, justamente para evitar práticas consideradas irregulares ou enganosas.
Já produtos sem necessidade de prescrição, como alguns cosméticos e dermocosméticos, podem ser divulgados, desde que não tenham componentes medicamentosos em sua composição.
Sinais de alerta
Entre as orientações para quem consome conteúdo nas redes sociais, a especialista recomenda atenção ao tipo de abordagem utilizada nas publicações. Segundo ela, conteúdos educativos costumam incentivar a busca por orientação médica, enquanto postagens apelativas geralmente tentam estimular a compra imediata do produto.
Renata também destacou que até mesmo fitoterápicos exigem cautela, já que substâncias naturais podem provocar interações medicamentosas e efeitos adversos quando utilizadas sem acompanhamento profissional.
A especialista reforçou a importância de verificar a credibilidade das informações compartilhadas nas redes sociais e desconfiar de promessas de resultados rápidos ou “efeitos milagrosos”.



